Dilma faz sinalização ao mercado, mas desagrada base

Indicações para o novo ministério de Dilma Roussef agradam ao mercado, mas contraria a base do PT, partido da presidenta. Escolhidos jamais fariam parte de uma lista dos sonhos de petistas. Rejeição maior foi ao nome de Kátia Abreu, para a Agricultura

Por O Dia

Dilma Rousseff repete a atitude de Lula em 2002%2C ao nomear Antonio Palocci para a Fazenda e Henrique Meirelles para o Banco CentralUeslei Marcelino/Reuters

Com exceção de Nelson Barbosa, nome preferido para a Fazenda por várias lideranças do PT, nenhum dos nomes divulgados na sexta-feira para o novo ministério da presidenta Dilma Rousseff faria parte de uma lista dos sonhos de militantes petistas. Com a aposta em Joaquim Levy para substituir Guido Mantega — o indicado foi secretário do Tesouro no governo Lula e é próximo de Armínio Fraga, que seria o ministro da Fazenda num eventual governo do tucano —, Dilma dá uma sinalização ao mercado financeiro de que pretende fazer o ajuste fiscal “gradual” e “consistente”, mas contraria sua base. A presidenta repete a atitude de Lula em 2002, ao nomear Antonio Palocci para a Fazenda e o então deputado federal eleito pelo PSDB Henrique Meirelles para o Banco Central.

Com as escolhas da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), para a Agricultura, e de Armando Monteiro, ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), para a Indústria e Comércio, ela faz outra sinalização ao setor produtivo. Parcela significativa do PT parece entender a necessidade de uma opção ortodoxa para a economia neste momento, dada as atuais dificuldades na área. Mas a rejeição é grande, entre os militantes, principalmente, à nomeação de Kátia Abreu, por ela ser identificada com posições da antiga e ultra-conservadora União Democrática Ruralista (UDR). Petistas protestaram nas redes sociais, reproduzindo artigos da ruralista contra o MST e os governos de esquerda “bolivarianos”. Lembraram que os militantes foram às ruas no segundo turno apoiar Dilma. E não Kátia Abreu.

PT discutirá campanha em conferência

O Diretório do PT de São Paulo deve realizar, em março, uma conferência para avaliar sua campanha ao governo e definir um reposicionamento do partido no estado. Dirigentes pretendem convidar sindicalistas e representantes de movimentos sociais para participar das discussões.  O objetivo é analisar as deficiências e fragilidades do partido em São Paulo. Há uma avaliação de que o PT errou na estratégia de campanha do candidato ao governo, o ex-ministro Alexandre Padilha. Ele não teria falado “para a base do partido” e, ao final, segundo avaliação de dirigentes, perdeu o voto de petistas e não ganhou os de outros eleitores.

Futebol e direitos

A Ação Educativa e o Museu do Futebol promovem, a partir de amanhã, em São Paulo, o Encontro Futebol e Cultura, que discute a relação entre direitos humanos e práticas esportivas em todas as regiões do Brasil. Serão mostradas, até quinta-feira, experiências de futebol “solidário e colaborativo”.

Refinaria tem novo gerente

Citada em denúncias da operação “Lava Jato”, a Refinaria de Abreu e Lima, em Ipojuca (região metropolitana de Recife), já tem um novo gerente-geral: Flávio Casa Nova. Ele está na refinaria desde a implantação do projeto. Casa Nova participou de reuniões com representantes de trabalhadores, na quinta-feira. O gerente-geral anterior, Glauco Colepicolo Legatti, foi afastado na semana passada, ao lado de outros executivos que podem estar envolvidos em corrupção.

Fazendo as pazes

Integrantes do PSB de Pernambuco tentam se reaproximar do governo federal e de líderes petistas nacionais, atribuindo o clima de radicalização na última campanha eleitoral a alguns de seus integrantes. Segundo pessebistas, quem mais contribuiu para “fechar portas” no diálogo com o PT foi o prefeito de Recife, Geraldo Júlio. Ele atacou a presidenta Dilma Rousseff, durante comícios, e disse que era preciso “varrer os petistas” do estado.

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Com Leonardo Fuhrmann

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