Empreiteiras: doação legal também entra na mira

Enquanto não se conhece a lista dos 70 parlamentares supostamente envolvidos em denúncias de corrupção da Petrobras, quem recebeu doação legal das empreiteiras também vira alvo

Por O Dia

Há um clima de apreensão no Congresso em razão de suspeitas de que empreiteiras teriam desenvolvido uma forma estruturada de lavagem de dinheiro por meio de doações legais a parlamentares, de acordo com um relatório da operação “Lava Jato”. Ninguém sabe quem são os 70 parlamentares envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras - nem quando serão citados -, mas há dúvidas se alguns dos que receberam contribuição legal estariam nessa relação. Oito empreiteiras investigadas no escândalo da Petrobras doaram este ano R$ 50 milhões a 243 parlamentares (41% do Congresso). Entre os deputados e senadores que receberam mais recursos estão integrantes do PMDB, PP, PT, PSDB e DEM. Eles receberam diretamente ou por meio dos partidos ou comitês de campanha.

Congresso nacional243 parlamentares%2C 61% do Congresso%2C receberam doações de oito empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobras


“Está havendo uma criminalização das doações de empresas. Então, todos estão envolvidos? Qual é o critério”, pergunta o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), que recebeu contribuições legais de empreiteira. Entre outros, também foram beneficiados nomes como José Serra (SP) e Antonio Anastasia (MG), do PSDB; e Ronaldo Caiado (GO), do DEM, três eleitos para o Senado. Parlamentares dizem ter dúvidas se os denunciados serão somente aqueles que tiveram relações com diretores da Petrobras e executivos das construtoras. “O que não pode é dizer que há crime no caso de doações das empreiteiras para o PT e não há problema algum nas contribuições dadas ao PSDB”, diz Zarattini. O deputado defende uma CPI das empreiteiras para investigar a relação delas com outros órgãos federais e governos estaduais, entre eles os de São Paulo e Minas Gerais.

Para deputados, economia não muda

Militantes petistas têm criticado duramente os nomes apontados para o novo ministério da presidenta Dilma Rousseff. Mas parlamentares do partido procuram ser cautelosos sobre mudanças na área econômica. “A presidenta fez uma sinalização ao setor produtivo, mas sem indicar que mudará a política econômica”, diz o deputado Paulo Teixeira (SP), um dos vice-líderes do PT. “O Joaquim Levy pode ser um neoliberal, mas ele deve ser chamado para executar um projeto. Terá de estar articulado com um plano, com aquilo que a presidenta Dilma deseja”, observa Carlos Zarattini, também da bancada paulista.

Mais um crítico

O ex-prefeito do Rio Cesar Maia entrou na campanha contra Joaquim Levy na Fazenda. Em seu blog, diz que Levy queria a federalização da UERJ e o chamou para uma reunião com o objetivo de formar um lobby suprapartidário a fim de colocar Maria Silva Bastos na presidência do BNDES.

Requião: nome para comprar briga

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) é um nome especulado para se tornar ministro. Seria uma recompensa, pois ele enfrentou o diretório de seu partido no Estado para concorrer ao governo e ajudar o PT. Aproveitando o clima de estranhamento entre a presidenta reeleita Dilma Rousseff e setores da imprensa, aliados do parlamentar gostariam de vê-lo à frente do Ministro das Comunicações. Consideram o perfil de Requião ideal para tocar um projeto de Lei dos Meios no País.

Contra a ‘surpresa tucana’ de Dilma

Candidato derrotado do Psol ao governo de São Paulo, o cartunista e professor Gilberto Maringoni foi um incentivador dentro do partido no voto em Dilma no segundo turno da eleição presidencial, para derrotar o presidenciável tucano, Aécio Neves. Agora, ele faz críticas às indicações para o Ministério, principalmente de pessoas com um perfil mais conservador. “É o governo Kinder Ovo. Você vota na Dilma e - surpresa - elege o governo Aécio”, ironiza.

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Com Leonardo Fuhrmann

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