Dilma escala time da Comunicação

Quem é capaz de formar uma equipe com tanto cuidado para evitar o confronto, não pode ser considerada uma pessoa que tenha aversão à política

Por O Dia

A presidente Dilma Rousseff completou a escalação do novo time da Comunicação do Palácio do Planalto. Aguarda a confirmação de detalhes para anunciá-lo. O jornalista Olímpio Cruz, número 2 de Thomas Traumann, que deixou o cargo, será o novo porta-voz. Roberto Messias, que vem desde o governo Lula, será mantido na Secretaria-Executiva, responsável pelo orçamento da publicidade oficial.

Edinho Silva, tesoureiro da campanha presidencial do PT, desempenhará função política, na coordenação dos trabalhos da dupla de operadores. Formado em sociologia, é considerado um petista soft, que trabalhou ao lado da igreja e tem jogo de cintura, cultivado na prefeitura de Araraquara. Ou seja, passará longe de polêmicas como controle social da mídia, mas terá a palavra final sobre as verbas de propaganda, como defendia o partido.

A Olímpio caberá o papel de lidar com os jornalistas, valendo-se do bom relacionamento que tem com os repórteres que fazem a cobertura diária das atividades do Planalto. A própria presidente alterou muito o perfil do primeiro mandato, arredio ao assédio da imprensa. Apesar da crise, Dilma tem mantido o humor, brinca com os repórteres e, em geral, atende aos pedidos de se aproximar para as famosas entrevista "quebra-queixo" (rápidas, com os microfones a um centímetro do rosto).

Quem é capaz de escalar uma equipe com tanto cuidado para evitar o confronto, não pode ser considerada uma pessoa que tenha aversão à política.

Um fio de esperança

A definição dos titulares da área de Comunicação reacende a esperança das agências especializadas no assunto que esperam o retorno das grandes licitações do governo. O Palácio do Planalto tem pronto, desde o ano passado, um edital de licitação para contratar duas assessorias. A paralisia se repete em grandes ministérios, como os da Educação, Fazenda, Trabalho e Transportes, que têm recorrido a funcionários de carreira e a poucos comissionados para tocar a área.

O consultor Haddad

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, ganhou uma chance de ouro de sair do esquecimento político, para onde foi enviado pelo PT depois dos baixos índices de popularidade revelados pelas pesquisas sobre seu desempenho. Haddad é um dos políticos mais ligados do novo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, que o tem consultado sobre a longa lista de problemas que vai encontrar. O prefeito foi dos ministros mais longevos do MEC, onde implantou a maioria das políticas do ex-presidente Lula para o setor.

Uma nova Dilma

Para quem acha que a presidente não mudou, uma história reveladora da “nova Dilma”. Outro dia, um grupo de assessores começou uma reunião com ela abrindo o computador para mostrar, nos mínimos detalhes, um novo power point sobre uma política de governo a ser lançada.

Reação da presidente: “Uai, gente. Mas eu não tenho que ficar vendo isso, não. Resolvam vocês”. Até muito pouco tempo, Dilma fazia questão de checar tudo antes de ser divulgado.

O arsenal de Levy

Os recentes interlocutores do ministro Joaquim Levy estão certos de que será preciso um problema de fato grande para abatê-lo. Mesmo que ele sofra uma derrota importante no Congresso, com rejeição das MPs dos cortes na área social, responsáveis por 30% do ajuste, o ministro ainda tem um arsenal de medidas alternativas. Na pior das hipóteses, recorrerá à tática dos restos a pagar, tão criticada na administração Mantega. Feio, mesmo, seria três anos de restos a pagar na faixa dos R$ 200 bilhões.

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