Um Pepe nada legal

Demora do governo para decidir questões simples é problema no segundo mandato de Dilma Rousseff

Por O Dia

Um dos problemas mais graves do segundo mandato é a demora da presidente Dilma para decidir questões simples e exaustivamente diagnosticadas. Os dois maiores exemplos, responsáveis por danos severos, foram o enorme atraso na escolha da equipe econômica e a longa espera na troca da diretoria da Petrobras.

Esse último é o mais eloquente. Antes da eleição, já era óbvio que a administração da megacrise implicaria uma autêntica força tarefa. Não porque Graça Foster estivesse implicada no escândalo, e sim porque bem cedo perdeu as condições de conduzir a busca de uma solução. Só quando a água chegou aos camarotes, a presidente cedeu, a minutos do caos.

Situação semelhante vive há 95 dias a coordenação política. O Palácio perdeu todas as batalhas no Congresso, o coordenador não tem intimidade com os aliados e não é acatado pelos chefes do Legislativo. Em fevereiro e março, o plenário da Câmara aprovou o maior número de propostas sem aval do Executivo dos últimos 20 anos. É urgente a troca do Pepe por um Dunga.

Pilha no agrobiz

A ministra Kátia Abreu montou uma agenda de eventos agrícolas para turbinar a exportação. Está abrindo frentes junto à Rússia, China e Japão. Dia 28 lança o Plano Nacional de Defesa da Agricultura para reafirmar a qualidade dos produtos brasileiros; e no dia seguinte discute com a Unasul e a Aliança do Pacífico novas opções comerciais.

É solução

De um broker, na véspera do feriado, quando o ambiente econômico começou a mudar: “Tudo o que está ruim é solução, não é problema”. O déficit estourou? “Solução”. A inflação vai aumentar? “Solução”. Dilma perdeu mais uma? “Solução”. Ou seja, caímos na real. Admitido um problema, as coisas só tendem a melhorar. Por exemplo: o dólar já baixou.

Diário oficial

Em 26/03 a mídia garantiu que Henrique Eduardo Alves assumiria como ministro do Turismo em 24 horas. No dia seguinte, um jornalista ligou em busca da hora da posse. Na segunda-feira, funcionário da Embratur perguntou a um colega do MTur o que estava achando do novo chefe. Na quarta, a Wikipédia agregou o cargo ao perfil de Henrique e depois apagou. Só a presidente não desconfia.

Fora da UTI

Dois ingredientes decisivos na confecção do balanço da Petrobras: 1. Uma equipe de três advogados antecipa-se aos números e dialoga com os órgãos fiscalizadores (CVM e SEC); 2. Os investidores internacionais estão confiantes no resultado, que atribuem à expertise de Aldemir Bendine. Criou-se a expetativa de que a Petrobras tem futuro fora da UTI. A empresa explora uma atividade muito rentável e detém grande quantidade de contratos que asseguram o êxito do negócio. Todos precisam da boa notícia.

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