A volta do PMDB ao governo

É conhecida a habilidade do vice-presidente Michel Temer para liderar e convencer, apesar de não se enquadrar no perfil clássico de chefe político regional

Por O Dia

A nomeação do vice-presidente Michel Temer para a coordenação política do governo significa que a presidente Dilma desistiu de brigar com o modelo parlamentarista que, na prática, se instalou no sistema político desde que Eduardo Cunha foi eleito presidente da Câmara dos Deputados e Renan Calheiros rebelou-se contra a tutela do Planalto sobre o Legislativo.

Tal como outros governos no passado, a começar por Sarney na transição democrática, o PMDB passou a dividir o comando do país com o PT, única forma de dar estabilidade ao segundo mandato da presidente, envolvido numa crise de graves proporções desde a posse, a consumir seus primeiros 100 dias de governo.

Apesar da forte crítica à resistência de Dilma à fórmula afinal adotada, é preciso reconhecer que seu senso de sobrevivência acabou removendo todos os obstáculos. Primeiro, foi obrigada a aceitar uma política econômica contrária à sua maneira de ver o mundo; segundo, entregou uma importante fatia de poder ao partido que até ontem era tratado como um expectador privilegiado, mas não como um sócio do poder.

É conhecida a habilidade do vice-presidente para liderar e convencer, apesar de não se enquadrar no perfil clássico de chefe político regional que comanda aliados com mão forte. Seu desafio será tanto maior quando se sabe que os dois presidentes do poder Legislativo terão que se enfrentar com a disputa pela sucessão de Temer antes de se lançarem à sucessão da própria Dilma.

Sentença pronta

Dois profundos conhecedores do funcionamento do TCU não têm dúvidas: como relator da apreciação das contas públicas no governo da presidente Dilma Rousseff, nos anos de 2013/14, José Múcio terá que aprovar o relatório de auditores, contadores e investigadores do TCU. Eles concluíram que os atrasos propositais de repasses de recursos do Tesouro Nacional aos bancos no período eram, de fato, operações de crédito. Apelidados de "pedaladas fiscais", seu objetivo era maquiar as contas públicas.

President(a) é tóis

Senador com receio de se expor acha que matou a charada da crise que tira o sono do país. A presidente Dilma encerra um enigma tão desafiador que criou uma senha para permitir que os políticos se aproximem dela: presidenta. Quem a chama de presidente é de oposição, antipatriota e da turma “deles”.

Pesadelo

O depoimento do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, previsto para amanhã, na CPI da Petrobras, evoca momento trágico para o PT. Em agosto de 2005, Duda Mendonça admitiu num plenário semelhante ter recebido em paraíso fiscal pagamento pela campanha de Lula em 2002. Sua franqueza levou alguns deputados do partido às lágrimas. A recusa de Vaccari em afastar-se do cargo e a tranquilidade com que se encaminha para o interrogatório deixa o PT insone.

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