Por monica.lima
Para o presidente do PT no Rio Grande do Sul%2C Ary Vanazzi%2C o petismo vive o momento mais difícil de sua históriaDivulgação

Por Leonardo Fuhrmann (interino) -[email protected]

Não faltaram alertas, inclusive internos, sobre a necessidade do PT afastar seu tesoureiro nacional, João Vaccari Neto, por conta das delações que o envolviam com a movimentação de recursos investigada pela Operação Lava Jato. Na reunião da Executiva Nacional com os dirigentes estaduais e o ex-presidente Lula, os diretórios gaúcho e catarinense tentaram colocar em pauta o tema. O pedido sequer foi analisado por decisão do presidente nacional, Rui Falcão, sob o argumento que aquilo não poderia ser deliberado lá.

Já desgastado perante a opinião pública, o PT agora tem de conviver com a prisão do responsável pelas suas finanças. O afastamento do tesoureiro depois de sua prisão deixa a sensação de que o problema poderia ter sido remediado antes. Não foi. Para o presidente do partido no Rio Grande do Sul, Ary Vanazzi, o petismo vive agora o momento mais difícil de sua história, por seus “erros e acertos”. Ele defende, para o resgate de sua imagem, que o PT não receba mais recursos de empresas para financiar suas atividades e as campanhas a partir de 2016. O dirigente petista também acredita que o partido deve aprofundar sua relação com a sociedade e, em especial, com os movimentos sociais e as bases partidárias, inclusive com o aprimoramento dos mecanismos de democracia interna. Para Vanazzi, o PT paga hoje por ter convivido com a corrupção, um mal enraizado na vida política, ao invés de ter trabalhado por mudanças estruturais. Um dos alvos da crítica é a coalizão com forças ideologicamente contrárias. “Mais do que discurso, temos de apresentar, inclusive como governo, práticas coerentes com o que defendemos”, afirma.

Outra data infeliz

A data da prisão do tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, foi considerada, até mesmo por petistas que defendiam o seu afastamento desde o surgimento das denúncias, uma “incômoda coincidência”. Acreditam que a notícia da detenção ofuscou as manifestações realizadas ontem contra o projeto que regulamenta as terceirizações de mão de obra. E lembram que Vaccari havia sido levado coercitivamente para depor sobre as denúncias contra ele justamente no dia dos 35 anos do partido.

Foco nas contas

Governadores do Nordeste e o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, se reuniram ontem com a bancada da região na Câmara. Para o encontro, foi montado um material com os principais projetos em tramitação de interesse dos nove estados. Dos treze temas selecionados, doze envolviam tributos.

Aliado no conselho

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), conseguiu aprovar o nome do advogado Gustavo do Vale Rocha para uma vaga no Conselho Nacional do Ministério Público. O profissional, que atua para o PMDB, foi aprovado por 376 deputados. A indicação é vista por rivais do presidente da Casa como uma confrontação ao procurador-geral da Repúlica, Rodrigo Janot, presidente do colegiado, que pediu ao STF a abertura de inquérito contra Cunha na Lava Jato.

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