O apoio seletivo da base aliada

Muitos deputados e senadores estão dispostos a aprovar o ajuste fiscal e outras medidas para ajudar a equipe econômica e garantir a governabilidade. Mas divergem frontalmente da posição da presidenta e do PT com relação a outros temas

Por O Dia

Por Leonardo Fuhrmann (interino) - lfuhrmann@brasileconomico.com.br

A base do governo Dilma Rousseff começa a dar sinais de que pode encerrar sua rebelião. Um dos motivos apontados por parlamentares é a separação entre questões administrativas e ideológicas do governo. Essa divisão ficou clara para eles a partir do momento em que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) passou a fazer a articulação política. Muitos deputados e senadores estão dispostos a aprovar o ajuste fiscal e outras medidas importantes para ajudar a equipe econômica e garantir a governabilidade. Mas divergem frontalmente da posição da presidenta e do PT com relação a outros temas, como a reforma política e a redução da maioridade penal. Dilma já demonstrou sua discordância com a PEC que pretende diminuir a idade para responsabilização penal de 18 para 16 anos. Da mesma forma, alguns petistas influentes, como o ex-líder do governo Henrique Fontana (PT-RS), defendem um modelo de reforma política muito diferente dos interesses dos principais partidos de apoio ao governo no Congresso.

A separação entre questões administrativas e ideológicas do governo ficou mais clara com o vice-presidente Michel Temer na articulação políticaUeslei Marcelino/Reuters

Esses são alguns exemplos de assuntos nos quais o governo terá dificuldades caso insista em exigir fidelidade de seus aliados a suas propostas. No pacote pode ser incluído também o projeto de regulação da terceirização da mão de obra. O PT e o PCdoB são, além do oposicionista PSOL, os grandes críticos da proposta. O ex-presidente Lula também já se manifestou contra. A maior parte dos deputados governistas, no entanto, ajudou na sua aprovação. Cobrada sobre a possibilidade de vetar o projeto caso ele seja aprovado nas duas casas legislativas, a presidenta Dilma evitou assumir um compromisso. Cada problema em seu tempo.

Poder limitado

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), descobriu nesta semana que seu poder na Casa não é tão ilimitado quanto imaginava. Líderes da situação e da oposição estavam reunidos para tratar do adiamento da votação dos destaques do projeto que regulamenta a terceirização da mão de obra. Em um telefonema, Cunha usou o viva voz, para avisar que não abria mão de concluir a votação na quarta-feira. “Sou o presidente. Será votado hoje”, teria dito. Mas, apesar do cargo, não conseguiu impor sua vontade.

Caneta boa

A Secretaria de Aviação Civil crê que não sofrerá tanto os impactos do ajuste fiscal. O motivo é a verba carimbada do Fundo Nacional de Aviação Civil, formado com recursos das concessões de aeroportos e taxas. Isso pode ter incentivado o ministro Eliseu Padilha a não trocá-la por um cargo mais vistoso.

Causa oculta

Deputados que votaram a favor do projeto que regulamenta a terceirização da mão de obra garantem que o maior prejudicado pela medida não será o trabalhador. Argumentam que o principal efeito será o enfraquecimento dos sindicatos, pois perderão a contribuição de trabalhadores contratados como pessoa jurídica. Atribuem os protestos desta semana a isso. Mas admitem que muitos colegas temem perder votos por terem sido favoráveis à proposta.


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