A reforma começa pelo voto distrital

Aprovação da proposta de José Serra no Senado levou apenas 90 dias e teve sinal verde dos ministros José Antonio Dias Toffoli, presidente do TSE, e Gilmar Mendes, do Supremo

Por O Dia

A reforma política começou pelo Senado com a aprovação de proposta do senador José Serra (PSDB-SP) determinando a eleição de vereadores de municípios com mais de 200 mil eleitores por meio de voto distrital. Essas cidades serão divididas em distritos, em número igual ao de vagas na Câmara Municipal. Cada distrito elegerá um vereador por maioria simples (50% dos votos mais um).

Proposta do senador José Serra foi aprovada em caráter terminativo pela Comissão de Constituição e JustiçaElza Fiúza/Agência Brasil

O projeto foi aprovado em caráter terminativo pela Comissão de Constituição e Justiça, ou seja, sem necessidade de ser examinado novamente em plenário. Segue direto papara apreciação da Câmara dos Deputados, onde uma comissão especial ainda não definiu sua posição sobre a matéria diante de posições antagônicas de PMDB e PT.

Serra precisou de apenas 90 dias para aprovar sua ideia no Senado e teve sinal verde dos ministros José Antonio Dias Toffoli, presidente do TSE, e Gilmar Mendes, do Supremo, especialista em matéria eleitoral, com quem discutiu o assunto. O vice-presidente Michel Temer, defensor do distritão, não tem restrições à matéria. Se puser pressão na Câmara, Serra arrasta até o PT, que já aceita o distrital misto defendido por Fernando Henrique Cardoso no primeiro mandato.

Risco PMDB

O PMDB tem hoje quatro caciques que atuam de forma semelhante – Michel Temer, Renan Calheiros, Eunício Oliveira e Eduardo Cunha. Por mais que tenham diferenças, os três primeiros se acomodam rapidamente, em especial quando o interesse comum está em jogo. Cunha é o mais diferente. Ganha força no conflito, situação que adora criar, transformando-se no líder da oposição do governo do PMDB. O grande temor é que ele ganhe a adesão de um daqueles três e inviabilize a coordenação política de Temer.

Justiça cega?

A camaradagem da Justiça Federal com o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa no processo sobre a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, reacende as discussões a respeito do rigor com que foi tratado pela Suprema Corte o operador do mensalão, Marcos Valério. Condenado a mais de 37 anos de prisão, ele amarga regime fechado em uma cela de seis metros quadrados na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG). E sem perspectiva de benefício penal.

Como em 2003/2004

A maior preocupação da presidente Dilma é com o ano que vem, já que o cenário do ajuste tem uma parte parecida com aquele de 2003/2004. Comandado pelo então ministro da Fazenda Antonio Palocci, que tinha como secretário do Tesouro o atual ministro Joaquim Levy, foi resolvido pela fartura externa: inundação de dólares e receita crescente de commodities. Como as despesas de 2015 foram transferidas para 2016, mas não há perspectiva de crescimento da economia, cadê a solução que políticos como Renan Calheiros pedem?

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