Por monica.lima
O senador Romero Jucá dedica-se a manter o patrimônio político que construiu nas últimas décadasJosé Cruz/Agência Senado

Enquanto Eduardo Cunha e Renan Calheiros se acotovelam para mostrar quem manda mais no Legislativo e, por tabela, no Palácio do Planalto, outro peemedebista, mais acostumado ao deleite e aos contratempos do poder, dedica-se a manter o patrimônio político que construiu nas últimas décadas. O senador Romero Jucá (PMDB-RR) não ocupa cargo de expressão no Congresso e está bem distante de qualquer disputa por quinhões na Esplanada, mas continua a liderar a lista dos mais cotados para assumir missões difíceis e posições de altíssimo risco.

A de relator do Orçamento 2015 foi uma delas. Equilibrando-se entre "palmos" de carinho e de porrada, expressão criada por ele durante as intermináveis discussões sobre essa matéria no ano passado, Jucá cumpriu a tarefa que lhe foi delegada. Isso sem esquecer os R$ 500 milhões a mais para o fundo partidário, embora o clamor dos partidos fosse, segundo o peemedebista, por R$ 1,2 bilhão. Segundo quem participou da barganha, o líder do movimento foi o PT.

Provocado a dar explicações sobre o polêmico aumento, Jucá arriscou a liberdade de dizer o que pensa, discordou de seu correligionário, o presidente do Senado, a quem é muito ligado, e defendeu a decisão da presidente Dilma Rousseff de não vetar o aumento dos recursos do fundo. Até o fechamento desta edição, ninguém se ofereceu para rebater frontalmente Jucá.

Agenda mínima

O governo só tem três prioridades na agenda legislativa deste ano: o Orçamento da União, as MPs do ajuste e a LDO, sendo que a primeira já foi aprovada. Muito pouco diante de mais de uma dezena de assuntos de iniciativa do Congresso que está encalhada na Câmara ou no Senado - convalidação de benefícios fiscais, novo indicador da dívida dos estados, PEC da bengala, regulamentação dos direitos das empregadas domésticas e reforma política, entre outros.

Houston we have a problem 1

Acendeu o sinal amarelo na relação governo-base: uma nova crise plantada pelo PT. Por meio de intensa campanha, o partido pendurou nos postes do Brasil nomes e fotos dos parlamentares que votaram a favor da terceirização. Chamados de traidores pelos petistas, esses parlamentares ameaçam dar o troco por ocasião da votação das MPs 664 e 665, a essência do ajuste fiscal. Se a terceirização reduz direitos dos trabalhadores, o ajuste reduz muito mais, diz um dos líderes da vingança.

Houston we have a problem 2

Quando os rebeldes da base dizem que podem derrotar o governo, não se trata de fanfarronice. Primeiro, apesar de ter formalmente 304 deputados, a lista de aliados emagrece dependendo do assunto e do tamanho da polêmica. Segundo, se na hora de votar a situação for caracterizada como interesse do governo contra o interesse de Eduardo Cunha, o Barcelona aqui é o Cunha, conforme amplamente demonstrado nas votações realizadas até agora. É possível que o verdadeiro tamanho da base aliada na Câmara encolha para 180 parlamentares.

Cobertor curto

Problema mal resolvido dá nisso: o Eduardo Cunha insinua que pode retaliar Renan Calheiros em votações de matérias de interesse dos senadores quando estes provocarem deputados. Exemplo: a ideia de engavetar no Senado o projeto que regulamenta a terceirização, menina dos olhos de Cunha. Por trás do cabo de guerra estaria a mexida no time feita pela presidente que resultou na substituição de Vinicius Lages, aliado de Renan, por Henrique Alves, animador da vitoriosa candidatura do presidente da Câmara, no Ministério do Turismo.

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