Por monica.lima
O ex-presidente da República José Sarney comandou o Senado três vezes%2C por quase dez anosAgência Brasil

Noventa dias após o início dos trabalhos legislativos, a presidente não tem pressa para designar o líder do governo no Senado. Ele já exerce as funções, nas sombras, mas de fato. É o político que melhor conhece a Casa, para onde foi depois de deixar o Planalto. Dilma chama José Sarney para quase tudo, e não apenas nas dificuldades.

O ex-presidente da República comandou o Senado três vezes, por quase dez anos, desde 1995, e de 2003 até hoje manteve uma dobradinha com Renan Calheiros, com apenas uma ligeira interrupção. A maneira como a Casa funciona hoje e a estrutura de que dispõe foi montada por eles, com uma marca mais acentuada de Sarney.

Quem anda pelos corredores do Senado respira o legado do ex-presidente em todas as áreas – modelo de administração, programas legislativos, pessoal, influência política. A blindagem da passagem pela Presidência da República, o perfil de decano dos parlamentares e o estilo de fazer política driblando conflitos lhe conferem credenciais de sobra. É líder, aliado e conselheiro. Dilma pode até nomear outro, mas só por formalismo.

Dia de Pessoa

Hoje, o fato do dia não resultará de uma declaração de Renan Calheiros ou de um muxoxo de Eduardo Cunha. A segunda turma do Supremo, presidida pelo ministro Teori Zavascki, julgará às 14 horas o pedido de habeas corpus do dono da UTC, Ricardo Pessoa. O cálculo dos defensores de executivos presos pela Operação Lava Jato é óbvio. Pessoa era chefe do cartel que fraudava a Petrobras. A decisão terá reflexo nos outros pedidos para libertar detidos no caso.

Quem paga?

Outra comissão da Câmara, além daquela que cuida da reforma política, com o selo político de Eduardo Cunha tem muito trabalho hoje. Discute como gerir uma federação quebrada, mas com pesadas responsabilidades financeiras, sendo que a situação tende a se agravar com o ajuste fiscal. As maiores despesas, empurradas há 27 anos para estados e municípios, são com saúde e educação, dois serviços que não funcionam. Caroço mais pedregoso do que as reformas que os governos não entregam há mais de doze anos.

Mercado inocente

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, saiu muito preocupado da reunião tipo MMA que teve com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, na quarta-feira passada. Principalmente porque o tema ainda não era o principal – ajuste. Nem as divergências as mais sensíveis – direitos de idosos. O mercado culpa a presidente Dilma pelas resistências às medidas. Não sabe de nada.

Retrabalho

A maior resistência ao projeto de terceirização que chegou ao Senado é de Eunício Oliveira (PMDB). Ele construiu seu patrimônio com negócios nesse tipo de atividade e é um dos maiores especialistas do país no assunto. Teoricamente, deveria estar satisfeito, mas acha que o projeto é repetitivo, impreciso, enfim, mal formulado. Além de tudo, Eunício negocia bem as causas que defende.

Você pode gostar