Por monica.lima

A confusão política não impediu a forte entrada de capitais no país. O Brasil recebeu US$ 13,1 bilhões em abril, descontadas as saídas, segundo o Banco Central. A bolsa subiu e o dólar continuou rodando em torno de R$ 3,00. Entre autoridades monetárias e políticos envolvidos na votação do ajuste fiscal, é uma demonstração de que o investidor olha para frente. Apesar de todos problemas, o Brasil está votando um ajuste, distanciando-se da suspeita de que poderia escorregar para uma solução à Argentina. Há algumas explicações para esses bons resultados políticos e econômicos: 1) a percepção de que não há mais o controle hegemônico do poder; 2) a convicção de que o país tem rumo e trabalha para chegar lá em todas as instâncias possíveis; 3) os ativos brasileiros estão baratos hoje, mas devem se recuperar no futuro próximo, se as medidas para estabilizar a economia derem certo, como se espera. Seria uma demonstração de confiança nas lideranças do país e uma aposta segura nas perspectivas econômicas, que às vezes os próprios brasileiros relutam fazer.

Não é bem assim

Vista como um pitbull que Eduardo Cunha incitou contra o Planalto, a aprovação da PEC da Bengala tem lá seus pontos positivos para o governo. De um advogado com anos de tribunais superiores: a presidente livrou-se de um pepino. Ela levou nove meses para substituir um ministro. Imagine dois em 2015/2016, de julgamento da Lava Jato, e três em 2018, véspera da eleição! O Supremo ganhará mais: além dos cinco anos de cada ministro, trabalhará com a casa cheia durante todo o mandato de Dilma.

ABC do Petrolão

Paulo Roberto Costa aproveita o tempo da prisão domiciliar brincando de linguista. No depoimento à CPI da Petrobras, o ex-diretor de Abastecimento deu quatro exemplos do Dicionário do Petrolão: doação - investimento; contato - irregularidade; rombo - preços represados; e cartel - políticos de Brasília.

Propaganda de Marte

O programa que o PT exibiu na TV só pode ter sido feito em Marte. A julgar por seu conteúdo, até parece que o partido: 1) não teve dois tesoureiros presos em dois anos, oito políticos envolvidos no petrolão e seus principais dirigentes no mensalão, menos de 10% de aprovação da população e uma presidente da República com popularidade de 13%; 2) não perdeu a coordenação política e o Ministério da Fazenda; 3) não leva um panelaço cada vez que suas estrelas aparecem na TV.

Mais do mesmo

Os velhos espectadores de Fla X Flus legislativos, como a votação do ajuste, mantiveram o sangue frio após o rebu da terça-feira, no plenário da Câmara. Sabem que, em geral, nesses casos, as ameaças antecipam o acordo e põem os políticos para trabalhar mais cedo no dia seguinte. Até ontem, às 20hs, não dava outra em Brasília.

Você pode gostar