Como investir em plena crise

Debates realizados pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão para elaborar o Plano Plurianual de Investimentos (PPA) têm sido conduzidos segundo a ótica do realismo radical, só entram no plano projetos que possam sair do papel

Por O Dia

Termina em julho a série de oficinas realizadas pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) para elaborar o Plano Plurianual de Investimentos (PPA), uma exigência da lei que impõe sua aprovação por parte do Congresso. Nessas reuniões, predominam as palavras estratégico, transversal e estruturante, contribuição do PT ao dicionário econômico desde que chegou ao poder em 2003. Os debates têm sido conduzidos, finalmente, segundo a ótica do realismo radical. Só entram no PPA projetos capazes de sair, de fato, do papel, o que condicionará um enxugamento de prioridades ao a um máximo de 12, por exemplo. É possível que sua revisão por parte da equipe da presidente puxe o número para dez. Mas num época em que falta dinheiro dinheiro para tudo, como pensar sonhos, propostas, ilusões?

Outra tarefa que tem ocupado os burocratas é a preparação do decreto de contingenciamento do orçamento deste ano, que deve ficar pronto em mais alguns dias. O governo resolveu usar os 30 dias que tinha para organizar sua programação financeira, ao estilo bem simples, tipo feijão com arroz, à base de tesoura e bicicleta. Ou seja, transferência dos poucos pagamentos para o ano que vem. A demora foi conveniente para o governo pois permitiu negociações com parlamentares a respeito de liberação de verbas e financiamento de projetos de interesse regional. Feliz coincidência com a votação das medidas provisórias do ajuste e projeto de lei por parte de um Congresso hostil. Nos últimos dias, não apenas a coordenação política, mas o ministro Levy e a própria presidente têm se empenhado nessa tarefa se seduzir o Legislativo.

Trio do atraso

A demissão do presidente do Serpro, Marcos Mazoni, é apenas um dos elementos da séria crise que contamina os três órgãos responsáveis pelo processamento de dados e tráfego digital do governo - Dataprev e Telebras completam a lista. O Serpro tem seu fundo de pensão envolvido em denúncias de irregularidades, a Dataprev está defasada tecnologicamente e o projeto de ressurreição da Telebras não prosperou. Pressões e contrapressões para manter Mazoni são demonstrações do sucateamento do sistema.

Efeito cascata

Cresce o movimento entre servidores para reivindicar na Justiça o tratamento dado a ministros de tribunais superiores que ganharam cinco anos de sobrevida na carreira (PEC da Bengala). O assunto não subiu à mesa dos chefes, mas pode ser um pepino de bom tamanho em matéria de perda de recursos por parte da Previdência.

Sem noção

O prefeito de Rio Verde, a duas horas de Goiânia, jogou fora um bilhete premiado. O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos escolheu a cidade como uma das 80 a dar pernoite à tocha olímpica, um privilégio que lhe daria projeção internacional. Sem falar na festa, emoção, verdadeiro feriado. Juraci disse “não, obrigado, tenho outro compromisso”.  O comitê não tinha sequer mencionado data. Caldas Novas já foi escolhida para resgatar o mico.

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