Problema de ajuste fiscal

Apesar do voto de confiança no ministro Levy e da percepção da maioria dos políticos e economistas de que o rumo da nova política está correto, infiltrou-se um grão de desconfiança sobre habilidade do governo para gerir a crise

Por O Dia

É assim que o mercado passou a se referir ao "programa de ajuste fiscal", depois da derrota sofrida na quarta-feira pelo governo na votação que derrubou o fator previdenciário. A apreensão aumentou porque os especialistas se cansaram de tantos tropeços, cortes, desentendimentos a respeito de um assunto sobre o qual deveria haver um mínimo de consenso. A base aliada com a qual a presidente Dilma pode contar, de fato, tem apenas 210 parlamentares na Câmara, uma tropa que não dá segurança a um governo que precisa entregar o que promete, num momento em que quase nada tem a oferecer em matéria de indicadores econômicos.

O pacote começou com a meta de arrecadar R$ 18 bilhões, perdeu R$ 3 bilhões nos debates das comissões que analisaram as propostas, abateu o fator previdenciário e expõe-se a mais tesouradas no Senado, onde acabou de chegar. Apesar do voto de confiança no ministro Levy e da percepção da maioria dos políticos e economistas de que o rumo da nova política está correto, infiltrou-se aí um grão de desconfiança. O Planalto, as lideranças do Congresso e o novo time da coordenação política têm mesmo as habilidades necessárias à gestão da crise? Desde o anúncio das medidas, é a primeira vez que os agentes econômicos expressam sua insegurança de maneira tão forte. Contribui para isso o cenário pessimista da safra de informações sobre o desempenho do país. Além de estatísticas ruins a respeito da produção e do emprego, agregam-se agora dados da área social que jogam o ânimo para mais baixo ainda, como a notícia de que o Brasil é o 60º colocado entre 76 países listados no mais recente ranking de educação da OCDE.

Dia seguinte

O candidato derrotado ao governo do Rio, Anthony Garotinho, saiu animado ontem à tarde de uma conversa com o ministro Edinho Silva, da Secretaria de Comunicação, no Palácio do Planalto. O assunto, óbvio, num momento de fragilidade do governo, foi nomeações para o segundo escalão. Seu partido, o PR, negou à presidente Dilma meia dúzia de apoios na votação das medidas de ajuste, contribuindo para a contração da base aliada. Garotinho é um dos políticos com maiores dificuldades para dialogar com o Planalto.

Planalto 2018

A candidatura da senadora Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo no ano que vem é apenas a entrada de um cardápio político à altura da ambição da ex-petista. Como Marina Silva está no limbo desde a segunda derrota na disputa pelo Planalto, Marta mira mesmo é a Presidência da República pelo PSB, seu novo partido.

Exagero

O que não falta ao PSDB é saia justa. Depois do vaiHvém do envolvimento do partido nas manifestações, com ou sem impeachment, houve a defesa empolgada de Álvaro Dias ao advogado Luiz Edson Fachin, indicado para o Supremo, na sabatina da Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Fugiu do tom, constrangeu a bancada e mesmo para um paranaense, foi difícil explicar. A imagem do partido sofreu mais um arranhão num momento em que mais precisava de unidade.

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