Por monica.lima
Secretário da Receita Federal, Jorge RachidMarcelo Camargo/Abr

A proposta do ministro Joaquim Levy de aumentar impostos por meio de decreto é viável ou uma especulação sobre a maneira de resolver um quebra-cabeças político? Está mais para a segunda hipótese. Um governo com popularidade de 13% não tem condições de pedir à sociedade que pague mais tributos. Arrisca-se a ouvir a pergunta "para quê?", numa referência indireta ao escândalo da Petrobras. Outro obstáculo é o mecanismo a ser usado. Os tributos que oferecem maior possibilidade de arrecadação exigem anterioridade de um ano, noventa dias ou foram recentemente elevados, como Imposto de Renda, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e PiS/Cofins.

Um grupo de empresários reunidos ontem em São Paulo repisou algo que as pesquisas já disseram: o governo não tem credibilidade para uma ousadia como essa. É preciso, então, mexer numa cartola que já esgotou sua capacidade de surpreender. Depende da criatividade de Jorge Rachid, da Receita Federal, um técnico de grande qualidade.

Outra ameaça ao ajuste fiscal

Há 15 dias Leonardo Picciani, relator do projeto que reduz a desoneração na folha de pagamento das empresas, segura seu parecer. Seu voto esvazia a medida e só ontem à noite chegou aos líderes. Receita ideal para criar problemas para o Planalto.

Mau humor

Quem conhece bem o Congresso e a Esplanada prevê que se o ministro Joaquim Levy não amarrar muito bem a negociação dos cortes, arrisca-se a uma violenta trombada com os ministros e parlamentares da base aliada. Juntos eles vão reclamar que não adianta ter Ministério se não é possível nomear para o segundo escalão nem investir em obras que dão votos.

Medo da crise

O mercado publicitário teme que a recessão obrigue as agêncioas a um ajuste que implique corte de pessoal. O setor enfrenta três poderosos adversários: a crise econômica que atinge a economia em geral, o receio das empresas diante dos desdobramentos da Operação Lava Jato e o crescimento da comunicação digital, via redes sociais.

Dois no ninho

O entendimento entre o senador Aécio Neves e o governador Geraldo Alckmin a respeito o comando do PSDB foi lido como um acordo entre os únicos competidores pela candidatura à Presidência em 2018. Mas o excepcional desempenho do senador José Serra nos seus primeiros 100 dias de mandato sugere para alguns tucanos que, se ele mantiver a performance será muito difícil fazer de conta que sua desistência em 2014 foi para sempre.

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