A ficção dos cortes

Para os técnicos, cortar gastos no orçamento é cortar vento, intenção

Por O Dia

O bater boca entre políticos e autoridades econômicas a favor e contra os cortes que o ministro Levy está preparando é ocioso. Ambos os lados sabem muito bem disso, mas mantêm o assunto aceso porque ele rende curtidas, compartilhamentos, comentários. Para os técnicos, cortar gastos no orçamento é cortar vento, intenção. Quando o governo manda projeto para o Congresso, faz uma estimativa de receita e despesa com base em projeções que jamais se cumprem. Deputados e Senadores alteram os números também com base numa aritmética desconhecida. Nesse documento o Ministério da Fazenda passa uma tesoura em busca de suposta realidade e com isso produz um terceiro documento que nada tem a ver com os dois anteriores. É essa terceira etapa, com a versão que vai prevalecer, que está sendo discutida agora, mas se ninguém explica o quê, onde e em comparação com o quê os cortes estão sendo feitos, como avaliar a dimensão do trabalho. Como o próprio ministro Levy já explicou as MPs do ajuste afetam as despesas obrigatórias (salários de servidores e benefícios previdenciários), que equivalem a 70% do total e não podem ser mexidas, enquanto os cortes atingem as despesas discricionárias (não obrigatórias, basicamente investimentos), onde o governo pode mexer à vontade. É neste capítulo que age a mão pesada de Levy. Ou seja, o que vale mesmo é planilha de controle do caixa que ele não mostra para ninguém, talvez nem para a presidente. "Se ele cumprir um terço do que prometeu fazer já terá sido um milagre e ele o único ministro da Fazenda a fazer tanto", resumo o consultor Raul Velloso, especialista em contas públicas.

Deu chabu

De um a dez, a criticadíssima reforma política do presidente da Eduardo Cunha tem sete pontos de probabilidade de ir para o mesmo brejo onde bateram as inúmeras outras anteriores. Sinal disso é a irritação do deputado com o relator Marcelo Castro e a ideia de rasgar seu relatório, levando ao plenário um presunto para ser fatiado. Quem monitora o jeito de Cunha jogar aposta que ele tem 320 votos para aprovar a terceirização, mas não conseguirá os 308 necessários para a PEC da reforma.

PSDB nas redes

Postado às 15h07 na página de Aécio Neves no Facebook, o programa do PSDB que iria ao ar à noite já tinha mais de 221 mil visualizações, 11,4 mil curtições e quase 6 mil compartilhamentos perto das 19h. Em quatro horas, para um programa político, aparetementemente sem patrocínio, é muito.

É assim mesmo

Receita de Michel Temer para fazer da trabalhosa coordenação política do governo Dilma uma limonada. Só considera derrota a rejeição de projetos e MPs com o selo do Executivo; relaxa diante da gangorra da disputa Renan Calheiros-Eduardo Cunha. Para o vice, esse embate desestabilizador veio par ficar. É um expediente de marketing, faz parte da política. O PT fazia o contrário na mesma função - potencializava as derrotas e entrava em pânico com a desenvoltura da dupla.

Últimas de _legado_Notícia