Por monica.lima

O pacote de infraestrutura agradou aos empresários, que já haviam sido informados pelo ministro Nelson Barbosa sobre seu conteúdo. Agradou, mas foi considerado mero aperitivo. Não havia programa; agora há. O anterior era uma fantasia; o de agora, realista. Só que não pode ficar nisso. Terminados os festejos políticos, conhecidos os grandes números e a lista de obras, é hora de entrar nos detalhes, ajustar as questões regulatórias. Tudo o que se sabe é que haverá a contratação de R$ 69 bilhões de obras em quatro anos, dos quais se for realizada a metade já será um sucesso. A oferta poderá atrair um novo perfil de investidor, com um modelo de atuação pós-Lava Jato, casamento entre o empreendedor puro, que entra com o capital, e o operador capaz de gerir o negócio, desde que o concessionário apresente boas condições. Longe daquele empreiteiro que também tinha interesse na obra (e misturava as instalações) e das práticas condenáveis que resultaram em sentenças e prisões.

Risco privado

O governo resolveu inovar na concessão das ferrovias. O modelo de licitação dos 11 trechos oferecidos pelo pacote de infraestrutura poderá ser por meio de outorga. Mas nenhum deles dispõe de estudo sobre as condições do negócio. Esse risco passará a ser do investidor. O governo fará um chamado público para uma Proposta de Manifestação de Interesse (PMI). Quem se candidatar terá que entregar em 180 dias uma proposta com dados sobre projeto, tarifa, contrato, orçamento.

?Troco pra quanto?

O ministro da Fazenda "adorou" a frase do presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Robson Andrade, sobre o ajuste fiscal: "Ele (Levy) já teve R$ 70 bi de corte, o que ele quer mais? Quer nosso pescoço agora?". Paciente e com memória de elefante, o ministro espera sentado aquele pedido de favor que empresário adora fazer.

Agora é tarde

Na novela Saramandaia, de Dias Gomes, jovem virava pássaro, mulher derretia e homem se transformava em lobisomem. No enredo de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o governo e o PT começam até a construir algumas pontes com a oposição. Buscam, por exemplo, diálogo com o governador tucano Geraldo Alckmin sobre a maioridade penal. Num passado não tão distante, boicotavam até o debate sobre a reforma do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), sugerida pelos tucanos.

Dê seu jeito

Falta dinheiro até para o custeio de um evento pelo qual o Brasil brigou e que exige segurança máxima, como os Jogos Olímpicos do ano que vem. O contingente das tropas das Forças Armadas que atuarão nas Olimpíadas foi reduzido de 50 mil para 37 mil homens, com gastos de R$ 307 milhões, valores considerados insuficientes.

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