Novidade na política

País ganha uma direita assumida, com maioria de evangélicos, focada em valores, na forma de uma agenda legislativa e apoio de uma bancada expressiva

Por O Dia

Pela primeira vez o Brasil tem uma direita assumida, com nome, endereço e CPF. Conecta-se preferencialmente com setores religiosos, com maioria de evangélicos e uma pauta focada em valores, na forma de uma agenda legislativa e apoio de uma bancada expressiva. Quer reduzir a maioridade penal para 16 anos, impedir o casamento gay, endurecer a lei do desarmamento e generalizar a terceirização. Boa parte dessa assembleia conservadora é constituída pela nova classe média que ascendeu na Era Lula, presidente de dois mandatos de esquerda, comprovando a tese de que à medida que a pessoa ascende socialmente mais conformista fica. Embora não tenha ideologia, esses brasileiros confrontam o governo mais impopular do Brasil em 50 anos - o de Dilma Rousseff. Usam como contraponto a religião, só que em vez de católica, evangélica. Mobilizada, marchando com Cristo, como a TFP (Tradição Família e Propriedade) fazia em 1964.

A interminável votação do ajuste

A síndrome de Sísifo contaminou o ajuste. O governo fala em virar a página, mas repete sempre a mesma tarefa de pôr uma MP na pauta. Quando vai começar a discussão, a pedra rola montanha abaixo, anulando o esforço de articulação política, como acontece com a desoneração.

Cunha, Eduardo

De um correligionário de Eduardo Cunha: 1) Ele não tem partido. Preside uma frente.
A Frente dos Evangélicos do PT-PMDB-PSDB e dos demais parlamentares dos outros 28 partidos; 2) Ele só tem um projeto: a Presidência. Da Câmara, de novo da Câmara, do PMDB, da República; 3) Sonho: votar uma PEC mudando a Câmara para o Palácio do Planalto.

Estilo Zuñiga

Não é mais só o PMDB, a base aliada, enfim, o Congresso que reclamam do jogo bruto do ministro Aloizio Mercadante. Michel Temer e a equipe econômica, também. Até a presidente Dilma já desistiu da política do confronto e aliança de ocasião. O ministro dá carrinho, tesoura, obstrui. O medo é que voe na cervical da coluna de um adversário.

Escolheram as FAs

O ministro da Defesa, Jaques Wagner, disse a um grupo de parlamentares que será complicadíssimo administrar um orçamento de R$ 5 bilhões cumprindo todos os compromissos assumidos. Metade de sua tarefa é evitar que alguns projetos sejam simplesmente suspensos por falta de recursos. A equipe econômica não quis conhecer detalhes nem daqueles que estão ameaçados. Por falta de dinheiro, o Brasil deixará a missão de paz do Haiti e não sabe como lidar com a dívida de quase US$ 3 bilhões com a ONU.

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