Julgamento de alto risco

Se o TCU rejeitar as contas do governo do ano passado, na quarta-feira, estará criada nova situação embaraçosa para a presidente Dilma Rousseff

Por O Dia

O elemento complicador é a manobra que adiou os repasses aos bancos oficiais para o financiamento de programas de governo. Se o tribunal rejeitar os números do Planalto, caberá ao Congresso apreciar a decisão. Confirmada pelo Legislativo, estarão caracterizadas duas irregularidades: crime de responsabilidade, permitindo a qualquer ator político pedir o impeachment da presidente, a ser julgado pelo Congresso; e desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o que gera representação penal por parte do Ministério Público junto ao Supremo. A rejeição das contas de um presidente por parte do TCU é inédita; de um presidente refém do Congresso, então, inimaginável. O que explica porque o governo faz de conta que não ouve os ataques do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Na hipótese de derrota da presidente no TCU, já imaginaram a tensão da escolha do relator do processo no Congresso?

Ele tem a força

A demonstração de força dada pelo governador Geraldo Alckmin, aclamado no final de semana como candidato tucano à sucessão da presidente Dilma, é um recado paulista para dentro e fora do partido. Quem monitora a política paulista adverte que ele terá muita obra para entregar, pode montar uma fórmula para apoiar Marta Suplicy em troca de votos do PSB, surfa bem na onda do conservadorismo e considera-se predestinado. A atual situação política aponta na direção do seu perfil. Não vai ser fácil.

Política judiciária

É quase irresistível a pressão que o governo faz sobre o TCU em favor da aprovação das contas da presidente Dilma. Os maiores alvos são Ana Arraes, mãe do ex-governador Eduardo Campos, que morreu fazendo oposição ao PT, e Vital do Rêgo, do PMDB de Renan Calheiros, cujo sonho até 2013 era ser ministro da Integração Nacional.

Agenda Dilma-Obama

Altos executivos de empresas brasileiras e americanas reúnem-se na quinta-feira, 18, em Brasília para discutir a agenda econômico-comercial paralela ao encontro dos presidentes Dilma Rousseff e Barack Obama, no final de junho. No dia seguinte o grupo terá reunião a portas fechadas no Itamaraty. Da lista de temas a serem tratados pelos dois presidentes fazem parte energia, infraestrutura, aeroportos, tecnologia e serviços. Os empresários querem que a aviação seja incluída na pauta.

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