PT ameaça com guerra das CPIs

A ideia é responder com outra investigação parlamentar sobre o escândalo da Alstom e do metrô de São Paulo

Por O Dia

O PT partiu para o revide no Congresso. Diante da iminente instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Petrobras, o partido promete promover uma guerra de CPIs, trazendo para o Legislativo Federal o caso do cartel de trens em São Paulo. De início, a ideia, tanto no Senado quanto na Câmara, é incluir um adendo à CPI que já está sendo criada. Caso não seja possível, a base buscará assinaturas para uma comissão específica para o cartel.

"A nossa proposta é passar o Brasil a limpo", declarou o líder do partido na Câmara, Vicentinho (SP), informando que a proposta será levada à bancada na próxima semana. "Se por acaso não for possível colocar um adendo nesta CPI (da Petrobras) e colocar a verdade em cima da mesa para toda a sociedade saber, vamos procurar construir uma CPI com dados bem objetivos. O caso Alstom é vergonhoso", disse.

Até esta quinta-feira, o requerimento para criação da comissão na Câmara não havia chegado à Secretaria da Mesa. Mas a oposição garante que já alcançou o número regimental, de 171 deputados. Por isso, a base começou a se movimentar. No Senado, a oposição protocolou ontem o requerimento para a instalação da CPI, onde constam 28 assinaturas de senadores. O número mínimo exigido pelo regimento da Casa é de 27. Caberá agora à Secretaria da Mesa conferir as assinaturas e liberar o requerimento para a leitura em plenário, formalizando assim a criação da CPI. Mas, pelas regras, os signatários têm até às 23h59 do dia da leitura para retirar suas assinaturas.
A senadora petista Gleisi Hoffmann (PR) também anunciou que solicitará a inclusão do adendo na CPI do Senado. "Se houver um fato determinado (fundamento para justificar a criação da CPI) que envolva também recursos federais, é possível ampliar o objeto da investigação", disse Gleisi.

Tanto a senadora quanto o deputado Vicentinho negaram se tratar de vingança. "Nunca tratamos esse assunto (Alstom) aqui no Senado porque achamos que ele tem que ser tratado como um caso técnico, como também deve ser tratado caso da Petrobras. Mas se eu sugiro uma investigação política para algo que é técnico, porque sugerir só para o outro? Há que ter coerência".

Constam do requerimento da CPI no Senado quatro fatos determinados: a negociação para a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA; possível pagamento de propina a funcionários da Petrobras por uma empresa holandesa; a suspeita de superfaturamento em refinarias; e o superfaturamento em plataformas. "São muitos os fatos que se somam para justificar a instalação da CPI", disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), responsável por protocolar o pedido.

A expectativa da oposição é que a leitura do requerimento seja feita na próxima terça-feira. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não falou em datas. Ele se disse contrário à CPI, mas admitiu que "agora não há mais o que fazer". Embora ainda haja espaço para a retirada das assinaturas, os parlamentares da base não contam com isso e garantem que não vão pressionar para que isso aconteça.

"Jamais pediria para alguém retirar a assinatura. Não é meu papel fazer isso", disse Vicentinho. No entanto, afirmou que vai brigar pela ampliação do objeto, para que se faça justiça. "Conhecendo a presidenta Dilma como conheço, a sua postura ética de vida, não vou ficar na retranca sabendo que existem coisas muito piores, não vou ficar calado", comentou, referindo-se ao fato de que, em seu entendimento, o caso envolvendo a presidenta diz respeito "a um negócio mal feito" e, o caso da Alstom, em São Paulo, "não foi erro de administração, foi corrupção, o que já está comprovado".

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