Por ana.grabois

A matéria "Reforma agrária não caminhou como o governo esperava, diz Gilberto Carvalho", publicada ontem, 19 de maio de 2014, continha um erro de informação. O texto foi alterado para correção. A reportagem da Agência Brasil atribuiu incorretamente ao ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, a informação de que 450 mil famílias receberão assistência técnica este ano. A declaração, no entanto, foi feita pelo secretário da Agricultura Familiar do ministério, Valter Bianchini, no encerramento do 3° Encontro Nacional de Agroecologia, em Juazeiro, na Bahia.

Leia a matéria corrigida: 

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse nesta segunda-feira que os assentamentos da reforma agrária “não andaram como o governo esperava”. Carvalho reconheceu que houve pouco avanço na distribuição de terras e que esse é o maior motivo de tensão no diálogo com os trabalhadores rurais. O ministro admitiu que a questão é “incômoda” e disse que, entre as razões para o avanço limitado, estão o encarecimento da terra, desaparelhamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a necessidade de investir nos assentamentos já existentes.

“Houve uma grande preocupação com a qualificação dos assentamentos. Nós nos demos conta que muitos assentamentos estavam se transformando na antirreforma agrária, as pessoas não conseguiam sobreviver. Foi um investimento grande que se fez na qualificação, apoio à agroindústria”, declarou, após o encerramento do 3° Encontro Nacional de Agroecologia, que terminou nesta segunda-feira em Juazeiro, na Bahia.

O secretário da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Valter Bianchini, também participou do evento. Segundo ele, 450 mil famílias vão receber assistência técnica este ano, o que representa custo de aproximadamente R$ 500 milhões em qualificação.

O evento reuniu cerca de 2,1 mil pessoas de todos os estados do país, entre agricultores familiares, extrativistas, indígenas, quilombolas, técnicos, professores e gestores públicos. Os participantes entregaram a Gilberto Carvalho uma Carta Política com demandas dos pequenos produtores.

Entre os pedidos, a realização da reforma agrária e o reconhecimento dos territórios de povos e comunidades tradicionais, como índios e quilombolas. A carta solicitou ainda o fim da pulverização aérea e da isenção fiscal para agrotóxicos; o banimento no Brasil de defensivos proibidos em outros países; acesso e gestão da água pelos pequenos agricultores; educação no campo com enfoque na permanência dos jovens na área rural e sistema de inspeção sanitária específico para produção artesanal sob supervisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Gilberto Carvalho disse que o documento é “pesado” e “uma grande responsabilidade”. Ele disse que é possível o governo buscar avanços, mas defendeu a reforma política como forma de conquistar os objetivos. “É preciso que a vanguarda consiga fazer uma estratégia de maioria. Sem reforma política, não será uma realidade. Não há a correlação de forças necessária. Não acontecerá enquanto houver bancadas grandes de latifundiários e de trabalhadores, reduzidas”, declarou.


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