Por monica.lima

Candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro, o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) é também economista e especialista em pesquisas eleitorais. Integrante da chapa fluminense que apoia o presidenciável tucano Aécio Neves, Maia conta que sua relação com a presidenta Dilma Rousseff é antiga, desde os anos 80, quando ambos eram filiados ao PDT. O ex-prefeito elogia — “ela é uma mulher correta, honesta” — e diz que seria incapaz de fazer críticas duras e pessoais à presidenta. Mas aponta falhas, como o “estilo vertical” de Dilma e a incapacidade de seu governo diante da crise econômica. “Ela está mostrando que é uma excelente gestora para momentos de bonança. Mas seu governo se mostrou incapaz de gerir a crise”. Apesar de apostar todas as fichas num segundo turno entre Dilma e Aécio, Maia vê como grande vantagem os 12 minutos que a presidenta terá no programa de TV e rádio e o farto acervo de imagens dos 12 anos de governos petistas que o marqueteiro João Santana terá à disposição. “Eu diria que a televisão é o único recurso hoje para ela tentar ganhar a eleição no primeiro turno”, avalia.

'A oposição ainda não falou ao coração do eleitor'%2C diz o ex-prefeito do Rio de Janeiro e candidato ao Senado (DEM) Cesar MaiaMaira Coelho

Vários economistas dizem que o país já vive uma estagflação. O governo diz que essa é uma visão extremamente pessimista. O que o sr. acha?

A crise de 2008 mexeu na economia e na política mundial. Saímos de um processo que era acelerado e acrescido pelos derivativos. Estes sofreram um corte muito forte pelas fiscalizações, pelos bancos centrais e pelos bancos que quebraram naquele momento. Isso tirou gordura do comércio internacional nos produtos industrializados e afetou as commodities. Os países precisavam ter investido, e vários investiram. Os EUA foram campeões nesse processo. O ciclo de aumento de produtividade lá, a partir de 2009, é dos maiores desde a Segunda Guerra.

Como o Brasil respondeu a isso?

O Brasil apostou tudo em geração de emprego, democratização do consumo, redução de tributos. O país saiu da crise com um custo de curto prazo pequeno, que o Lula chamava de “marolinha”, com a economia crescendo em 2010 a 7,5%, o maior crescimento anual em muitos anos, e perdendo competitividade. A resultante disso é o impasse em compensar a perda de competitividade através da elevação do câmbio, que tem um impacto inflacionário. Em 2005, a balança comercial de manufaturados do Brasil era superavitária em US$ 18 bilhões. Este ano, será deficitária em US$ 105 bilhões. É uma reversão do quadro. A partir daí, o Brasil entrou num processo permanente de estagflação. No final de 2010, na vitória da Dilma, já se apontava uma inflação superior a 6%. Hoje, a inflação passou a ser controlada através dos mecanismos tradicionais, através da taxa de juros. A Dilma, quando entrou, disse que ia reduzir a taxa de juros. E reduziu.

Mas depois voltou a subir...

Ela teve que aumentar, e controlar a inflação através de preços públicos administrados (energia elétrica, petróleo). Estima-se que se a inflação fosse de preços livres, estaria perto de 9%. A população sente isso. Durante quanto tempo eles conseguiriam, através de redução de tributo, segurar os preços na indústria automobilística para manter mercado? Isso estourou. De alguns meses para cá, os pátios estão lotados, já começaram as demissões, que eles chamam de desligamentos provisórios, antecipação de férias. A linha branca (fogão, geladeira etc.) teve uma queda de 12%. Daqui até o final do ano, é um processo de tentativa de ganhar fôlego. Mas os sinais para 2015 são problemáticos. Ganhe quem ganhar, o presidente vai precisar tomar medidas muito duras no começo. Se tentar medidas progressivas, vai carregar esse PIB baixo, essa inflação maior, por dois anos e meio, e o Brasil não aguenta.

Que medidas seriam essas? Se não fosse ano eleitoral, deveriam ser adotadas agora?

Se a Dilma tivesse adotado em 2013... São, no mínimo, duas questões: deixar o câmbio flutuar para o nível que torne os produtos brasileiros competitivos; e encerrar essa gigantesca política de subsídios, especialmente sobre os preços relativos.

Haveria impacto inflacionário.

No primeiro momento, sim. Haveria um efeito social, porque a inflação vai na frente e o salário vai atrasado. A renda real cairia. Esse processo tem, provavelmente, que ser compensado com uma política de juros mais agressiva, que também afeta o crescimento. Estamos numa situação delicada, por responsabilidade da atual administração, desde o Lula de 2009. Aquela crise exigiu que os países realizassem mudanças drásticas. Alguns fizeram isso, com um custo muito alto, como Espanha e Portugal. Claramente, sofreram reversões econômicas, mas estão em processo de recuperação e crescimento. O Brasil, não. A América Latina, em geral, não.

Num primeiro momento, houve uma ênfase no consumo, no mercado interno.

A curto prazo. E isso afetou a competitividade da economia. Você estimula o consumo através de crédito barato, diminui IPI, segura o desemprego, mas isso vai gerando distorções. Enquanto isso, outros países estão fazendo seus ajustes. A economia americana chegou a um nível de desemprego de 10%. No último trimestre, cresceu 4%.

O que deve provocar uma alta de juros nos EUA... e dizem que essa alta pode ter impacto forte sobre a nossa economia. O FMI diz que estamos vulneráveis.

O Fed (banco central americano) disse que não há necessidade disso agora. Mas temos uma enorme crise de credibilidade da presidente junto ao mercado e as alternativas a ela ainda não geraram essa sinalização para onde se vai e como se vai. O Eduardo Campos (PSB), num primeiro gesto com a entrada de Marina Silva como sua vice, teve quase uma ruptura com o agronegócio, disse que não quer Ronaldo Caiado (DEM) como candidato ao Senado. Eles tiveram, na semana passada, uma reunião com o agronegócio. Mas não adianta, perderam a credibilidade. O Aécio passou a ser a alternativa do mercado, mesmo naqueles segmentos do grande empresariado que têm uma proximidade muito grande com Lula e não confiam na Dilma.

O distanciamento tem relação com o perfil de Dilma, que é mais intervencionista na economia?

Não vejo assim. A atividade legislativa treina e amolece o político. O político adquire a capacidade de ser paciente, de ouvir. Mas esse não foi o caminho da Dilma. E, para quem tinha 80% do parlamento eleito depois da eleição de 2010, a relação dela com o Congresso se deteriorou muito rapidamente. Hoje, há um ponto de interrogação na Câmara dos Deputados. Cada votação é uma votação diferente. Em relação ao Senado, menos. Porque o Lula, na campanha de 2010, fez uma caravana para derrotar os senadores de oposição, derrotou Arthur Virgílio, Heráclito Fortes, Tasso Jereissati; eu, aqui no Rio, também levei um solavanco. Ele produziu uma maioria confortável, o que foi a salvação para Dilma diante do nível de estremecimento dela com os deputados. Com o Senado, as relações são mais respeitosas, são ex-governadores em sua maioria. Então, não houve o estresse que se produziu com a Câmara.

Mas o perfil de Dilma atrapalha, ou não?

A Dilma era do PDT quando eu também era. Fui secretário do Leonel Brizola em 1983, ela, em seguida, foi secretária municipal da Fazenda do prefeito Alceu Collares, em Porto Alegre. Por aí, ela foi desenvolvendo o trabalho dela, não concorreu a cargo eletivo. Eu, em 1986, fui candidato a deputado constituinte. Houve a ruptura do PDT com o PT. Olívio Dutra a chamou para ser secretária de Minas e Energia. Lula (Sindicato dos Metalúrgicos) e Olívio Dutra (Sindicato dos Bancários) eram muito próximos. Dutra foi para o Ministério das Cidades do Lula, e ela foi para o Ministério de Minas e Energia — por indicação do Dutra. Quando veio a crise do José Dirceu, Lula adotou uma medida muito comum em governos. A população tem uma percepção de que a mulher é mais honesta que o homem. Quando você tem um problema como esse, você tira o homem e coloca uma mulher. Como ministra de Minas e Energia, ela desenvolveu esse estilo vertical, que o setor reclamava muito, e vimos aí que tinha razão. Ela produziu uma impossibilidade de relacionamento com a Marina Silva, que era uma ministra forte do Lula. Quando a Dilma se desloca para ser “primeira-ministra” do Lula, no lugar do Dirceu, Marina renuncia e sai do partido, porque, sob comando da Dilma, ela não ficaria. Aí, Dilma desenvolveu essa tendência para relações verticais. O presidente da República tem muita informação e seu interlocutor tem ideias, boas ou ruins. Como tem muita informação, há uma tendência a desqualificar o interlocutor. Só que Dilma fazia isso abertamente com parlamentares e empresários. Se temos cinco grandes grupos empresariais brasileiros, esse que vou falar é um dos cinco. Ele disse que com a presidente não iria mais conversar, a não ser que ela o convocasse. E a equipe dela mais próxima adquiriu esse estilo, vide Graça Foster. Converso com empresários que têm relação com a Petrobras e vejo que essa relação é muito ruim.

A presidenta costuma dizer que, se fosse homem, diriam que ela tem pulso, autoridade. Mas, como é mulher, chamam-na de arrogante...

Seria um argumento bom se ela sucedesse o Collor, que tinha os repentes dele, ou o Itamar. Mas ela sucedeu o Lula, que é exatamente o contrário. Ela conviveu com alguém muito plástico, treinado internacionalmente em relações e conflitos. Lula foi treinado na Alemanha e tem curso superior de negociação. Já mostrou sua capacidade. Com ele, ela conviveu. Aprendeu com quem isso? Não foi com o Lula.

Mas ela continua favorita, tem uma gordura forte de votos no Nordeste. O sr. acha que Dilma corre risco de não se eleger no primeiro turno?

A chance de ela se eleger no primeiro turno é de 10%. A avaliação da Dilma não corresponde às intenções de voto. Ela despencou em avaliação, mesmo em estados onde tem 53%. Tem uma avaliação muito pior do que se imaginaria que corresponderia às intenções de voto. Ela ganha no Nordeste e entre as pessoas de renda mais baixa por conta das políticas de governo, gostem ou não. No caso da população de renda mais baixa, ainda não há uma identificação com as alternativas. Não sei se com Marina entrando no programa de televisão, haverá essa identificação. O que temos é a candidata a presidente perdendo fôlego, mas as alternativas ainda não impactaram com carisma. Participei nesses últimos 30 dias de dezenas de lançamentos de candidatos e eles não citam o candidato a presidente. Participei onde o deputado era ligado ao Pezão (Luiz Fernando, governador do rio) e apoiava a Dilma, e nos lugares onde o deputado também era ligado ao Pezão, mas apoiava Aécio. Nesses lugares, o nome do candidato a presidente fica fora. Lindberg Farias foi a Nova Friburgo com Romário e em nenhum momento citou a candidata a presidente.

O que está acontecendo, exatamente na eleição?

Os candidatos da oposição ainda não conseguiram falar ao coração do eleitor. A campanha na televisão vai começar e é um elemento de grande vantagem da presidente Dilma. E tem o João Santana, que terá 12 anos de imagens de governo Lula e Dilma. É difícil, mas eu diria que a televisão é o único recurso hoje para tentar ganhar a eleição no primeiro turno. O outro lado também está de olho nisso. Pelo fato de Dilma definhar, esperava-se que do outro lado da balança houvesse o contrapeso, mas isso não aconteceu.

O prato da balança que cresceu é o de nulos e brancos. Esse grupo pode se transformar em votos da oposição?

Esses votos não vão para Dilma, mas, se também não forem para ninguém, vão para ela.

No segundo turno, Dilma ganha?

A probabilidade de ela ganhar no primeiro turno é de 10%, 15%. No segundo turno, é a mesma. A distância cai tanto na disputa dela contra Aécio, quanto entre ela e Eduardo Campos.

E não dá para dizer quem vai para o segundo turno com a presidenta?

Ainda não é possível cravar, porque o personagem Marina Silva ainda não apareceu, o eleitor ainda não sabe que existe uma dupla (Eduardo e a vice). Dizem que no programa de televisão de Eduardo Campos ele vai aparecer sentado ao lado de Marina, conversando. Nas pesquisas, Dilma, quando aparece com Michel Temer, fica mais ou menos onde estava; Aécio com seu vice, Aloysio Nunes, cresce 2 pontos; Eduardo Campos com Marina, cresce 8 pontos.

Caso o sr. seja eleito, e Dilma também, pretende fazer oposição sistemática no Senado?

O candidato a senador é candidato de um grupo político. Uma vez eleito, tem que incorporar um perfil suprapartidário, porque tem a obrigação constitucional de representar seu estado e os municípios. Não cabe ao senador ser porta-estandarte da oposição, a menos que haja razões específicas, como no caso de Aécio, que, candidato à Presidência, precisava buscar um espaço de diferenciação. Mas o normal é que o senador cumpra um mandato suprapartidário. Para isso, ele deve fazer uma oposição técnica, dar argumentos sólidos para questionar medidas do Executivo, e não se envolver com o enfraquecimento do Executivo, gerar desgaste. Isso não cabe a um senador. Onde quer que eu vá, digo que conheço a Dilma há muitos anos. Ela é uma mulher correta, honesta, nenhum de nós é melhor que ela. Ela está mostrando que é uma excelente gestora para momentos de bonança. Em momentos de crise, mostrou-se incapaz de gerir. E precisamos de um presidente para gerir a crise. Não é ela, é o Aécio Neves, por isso, isso, isso e isso. Mas sou incapaz de fazer qualquer crítica dura e pessoal a ela. Não há hipótese disso. Amanhã, se deus quiser e se o eleitor quiser, eu posso ser senador e não sei quem vai ser o presidente. Preciso defender o meu estado. Quando a Dilma assumiu como “primeira-ministra” do Lula, e eu era prefeito, a primeira coisa que ela fez foi me chamar em Brasília para acertar a ausência do governo federal dos Jogos Pan-americanos. Há testemunhas. Ela perguntou como estava a situação, eu disse que estava desgastado porque segurava sozinho a situação da cidade. Ela disse para eu ver imediatamente o que podia ser feito. No dia seguinte, estava executado. Colocou R$ 200 milhões naquele momento. Temos uma relação boa, espero que continue.

É exagero falar em candidatos sem lastro, quando Lula vai reforçar a campanha de Dilma; Fernando Henrique, com o Plano Real, pode entrar na de Aécio; e Marina, na de Campos?

No caso de Eduardo Campos, é Marina ou nada. Obrigatoriamente, ele tem que puxá-la para crescer. Ele está com 8, 9 pontos há muito tempo. Aécio não tem entusiasmo na curva de crescimento, mas tem crescido. Nessa fase final do primeiro turno, o eleitor tem que encontrar o Aécio. Quando a pessoa tem carisma, o candidato encontra o eleitor. Nessa eleição, no boca a boca, o eleitor descobrindo o Aécio pode provocar uma angulação na curva de crescimento dele.

Parece que Aécio vai usar a imagem do avô, Tancredo Neves.

Tancredo nunca foi muito a marca do carisma, sempre foi um político de perfil intermediário.

A Marina pode ter forte influência nesse primeiro turno, então?

Aécio vem numa curva sustentada de crescimento. O progresso dele pode continuar e levá-lo para acima de 25 pontos no primeiro turno. Agora, impacto mesmo, só a Marina sobre Eduardo Campos.

Neste momento, já vieram à tona campanhas negativas sobre os candidatos. É a melhor tática?

Não pode ter apenas um lado com potencial de denúncias, é mais um jogo para empatar denúncia contra denúncia, do que para mobilizar a vontade do eleitor. Agora, o que vale é o eleitor que vota com medo de perder o que tem, e o eleitor que quer a mudança. Aécio vai fazer campanha contra nulo e branco, porque sabe que esse voto não vai para a Dilma.

O  sentimento antipolítica do ano passado terá consequências nas urnas?

Já está tendo. Basta andar nas ruas para ver uma eleição fria, sem placas, bandeiras. Esses materiais estão mais na parte periférica. Nas áreas mais centrais do Brasil, o eleitor está numa eleição europeia. Se você chega como turista, não sabe que tem eleição. Não sei se é apatia ou uma vontade de não participar. Sou conhecido no Rio, faço corpo a corpo todo dia. As pessoas se aproximam, mas a gente sente. Candidatos a deputado, com exceção de meia dúzia na rua, não podem nem fazer campanha, para não passarem por cabos eleitorais. No caso do Rio de Janeiro, a panfletagem com Aécio ajuda na Zona Sul, na Barra, onde o eleitor de classe média já o escolheu.

O sr. está espantado com a rejeição aos políticos?

A rejeição é mundial. A preocupação é como ela se expressa. Até agora, é pela omissão, pelo “não quero participar disso”. Enrolar a campanha eleitoral, jogar a decisão adiante, ganhar tempo, isso ajuda a quem está na frente.

Como está sua campanha?

Vai bem, é uma campanha que tem um mês, porque antes eu era candidato a governador. Nas nossas pesquisas, o Romário abriu forte, com a Copa do Mundo, xingando a CBF, num nível de 30%, mas hoje está com 25%. Eu estou superior a 20%. Mas 42% não são de nenhum dos candidatos ao Senado. Ganho entre as mulheres; ele, entre os homens. Eu, entre os mais idosos; ele, entre os com menos de 40 anos. São dois candidatos de perfis tão diferentes que o eleitor sabe bem em quem vai votar. Eu faço uma campanha dizendo o que é ser senador e a experiência acumulada que o cargo pede. É a casa dos sêniores, como diz a palavra. Romário foi um bom deputado. O problema é que agora a eleição não é para ponta-direita, é para goleiro. Mudaram as funções. O Senado representa estados e municípios, o deputado representa o povo.

Caso seja eleito, o sr. terá algum tema prioritário no Senado?

O Aécio disse várias vezes que na transição ele leva o Congresso à proposta de reforma política e tributária. Ele leva pelo Senado, que é mais fácil. Um assessor do Aécio, que foi secretário dele em Minas, disse que o compromisso de reduzir para 30% do PIB a carga tributária é um compromisso firme. É uma gestão política da maior dificuldade. Na hora de uma reforma tributária, em que você tem que mexer também em estados e municípios, é difícil a gestão. Se Aécio ganha com impacto, isso tem mais força para ser levado adiante. Há outras questões estruturais do Rio de Janeiro, como a linha 3 do Metrô, o saneamento da Baixada Fluminense, o Comperj, que precisa acelerar. O Senado é a casa onde se discutem os financiamentos.

Nesse sentido, até que a Dilma deu bastante atenção ao Rio.

Eu não diria isso. Talvez o Lula, um pouco mais. A relação da Dilma com o Cabral não foi nenhuma maravilha. Com o Pezão, sim. De qualquer maneira, fez como fez em todos os estados. Você vê BRT em Recife, Rio e Belo Horizonte. Não é um programa específico do Rio de Janeiro. O governo Lula se articulou muito bem com os governadores. Neutralizou os de oposição. Com Dilma, há atritos, fricções e dificuldades.

Como é fazer campanha pelo Aécio, enquanto Pezão faz campanha com a Dilma?

O bloco mais importante de apoio à candidatura do Pezão é o “Aezão”.

Mas Pezão tem sido bastante fiel à presidenta...

Mas sempre deixando de fora a questão presidencial, para não causar constrangimento aos que o apoiam. Ele vai votar em quem? Ele diz que votará na Dilma, mas ficamos muito à vontade com ele. Se Aécio vem ao Rio, ele não vai. O contrário é igual. Se eu chego num lugar onde o PMDB que está com Pezão apoia a Dilma, não posso ficar afrontando. Aí, nem ele fala de candidato a presidente, nem eu.

O sr. sempre foi muito crítico ao ex-governador Sérgio Cabral. Não existe um receio em relação a essa aliança? O Romário sofreu um pouco nas redes sociais, por ter feito críticas ao governo federal e estar agora com o Lindberg.

Infelizmente, a política brasileira é feita de personagens, e não de partidos. Então, quando o personagem não é candidato, fica muito mais fácil. O Cabral saiu, com sacrifício, com um discurso emocionado. Então, não tenho esse problema. No caso do Romário, ele tem esse problema, porque há a presença deles (Dilma e governo federal).

No ano passado, no plenário da Câmara dos Vereadores, o sr. disse que ficou balançado com os argumentos do vereador Renato Cinco (Psol) sobre a legalização das drogas. Num eventual debate no Senado, o sr. se mostraria favorável?

Contra. Rigorosamente contra. Até por razões econômicas. O que eu quis dizer é que o Renato Cinco argumenta solidamente, ele não é do oba-oba. Ele traz dados, números. Para homenagear esse tipo de argumento, eu disse que o discurso fez balançar. Renato Cinco é um quadro que pensa de forma muito diferente de mim. Somos pessoas que pensam a política, a sociedade e os costumes de forma muito diferente. Mas me dá prazer ouvir os argumentos dele. Tomara que ele se eleja deputado federal, tomara que Chico Alencar (Psol) puxe muitos votos e que ele vá junto.

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