Eduardo Campos morre em queda de avião em Santos

Acidente não deixou sobreviventes. Mulher e filhos de Campos não estavam no avião. Jato caiu em área residencial em Santos. Voo seguia para Guarujá

Por O Dia

O candidato à presidência pelo PSB, Eduardo Campos, de 49 anos, morreu em queda de jato em Santos. De acordo com a direção do PSB, além de Campos, estavam no avião: Geraldo da Cunha e Marcos Martins que seriam piloto e co-piloto da aeronave. Pedro Valadares, Alexandre Severo Silva, Carlos Augusto Leal Filho e Marcelo Lira, que integravam a campanha do candidato. O acidente não deixou sobreviventes entre os que estavam à bordo da aeronave.

A candidata Marina Silva, vice da chapa de Eduardo Campos, não estava a bordo. A mulher de Eduardo Campos, Renata Campos, está em casa, Recife, ao lado dos cinco filhos, acompanhando as informações.

Em nota oficial, o  PSB lembrou a coincidência da data da morte de Miguel Arraes, avô do candidato, e afirmou que Campos  vivia o auge de sua brilhante carreira política". 

"Perdemos Eduardo Campos quando mais o Brasil precisava de seu patriotismo, seu desprendimento, seu destemor e sua competência", diz a nota. O partido acrescentou que o país "perde um jovem e promissor estadista".

O partido Rede Sustentabilidade de Marina Silva, vice da chapa de Eduardo Campos, manifestou, em nota, seu profundo pesar, neste momento de dor e perplexidade, pela morte do candidato e seus companheiros de equipe.  A presidenta Dilma Rousseff se declarou tristíssima em nota oficial e decretou luto de três dias. 

A aeronave de pequeno porte caiu sobre uma residência na cidade de Santos, litoral sul de São Paulo. Segundo o Corpo de Bombeiros, a aeronave caiu, por volta das 10h, em uma casa na altura do número 50 da Rua Vahia de Abreu, na esquina com a Rua Alexandre Herculano, no bairro do Boqueirão.

De acordo com o Comando da Aeronáutica, a aeronave é um Cessna 560XL, prefixo PR-AFA, que decolou do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com destino ao Aeroporto de Guarujá (SP). Quando se preparava para pouso, o avião arremeteu devido ao mau tempo. Em seguida, o controle de tráfego aéreo perdeu contato com a aeronave.

A Aeronáutica informou que já iniciou as investigações para apurar os fatores que possam ter contribuído para o acidente. Oito carros do Corpo de Bombeiros estão atendendo às ocorrências.

Em conversa com o Brasil Econômico, o vice-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, afirmou que só vai se pronunciar sobre o futuro cenário político após a posição oficial do partido.

Políticos lamentam a perda

Aécio Neves, candidato à presidência pelo PSDB, afirmou em nota que recebeu a notícia da morte com imensa tristeza. "O Brasil perde um dos seus mais talentosos políticos, que sempre lutou com idealismo por aquilo em que acreditava", disse.

"A perda é irreparável e incompreensível. Nesse momento, minha família e eu nos unimos em oração à família de Eduardo, seus amigos e a milhões de brasileiros que, com certeza, partilham a mesma perplexidade e pesar", acrescentou Aécio.

Em nota oficial, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, declarou que a trágica morte de Eduardo Campos deixa o Brasil triste e que o Partido dos Trabalhadores está de luto. "Eduardo Campos teve papel importantíssimo nas gestões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tendo sido ministro da Ciência e Tecnologia. Mesmo quando decidiu seguir um caminho diferente ao do PT, mantivemos com Eduardo Campos uma relação de profundo respeito e admiração", afirmou em nota. Já o ex-presidente Lula declarou que o país perdeu um "homem público de rara e extraordinária qualidade", além de grande amigo e companheiro. 

O Pastor Everaldo Pereira, candidato à presidência pelo PSC, disse que perdeu um amigo. "Eduardo Campos era, além de tudo, uma pessoa de bem, um pai de família, um cidadão brasileiro que teria muito a contribuir com a democracia brasileira neste momento".

A candidata do PSOL, Luciana Genro, cancelou sua agenda de campanha. O partido afirmou por meio de nota que "a tragédia que atingiu Campos, sem precedentes na história democrática, também nos toca e reveste de luto este processo eleitoral" e se solidarizou com as famílias das vítimas.

O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou "neste momento de perplexidade, junto-me às vozes de todo o país que lamentam a perda súbita e prematura do ex-governador de Pernambuco e candidato à Presidência da República, Eduardo Campos". Enquanto Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, disse que este é um momento de muita tristeza. "Campos tinha um papel importante neste momento de mudança. Não tive uma convivência com ele, mas ele sempre foi muito responsável no trabalho que desenvolveu", acrescentou.

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou que "o Brasil perdeu uma liderança de primeira grandeza; os que lutam pela justiça social, um companheiro; e eu, um amigo". Em nota, coutinho afirma que "por sua coragem, competência e retidão no exercício da política, deixa uma enorme lacuna".

A bancada do Partido Verde e o Deputado Fernando Francischini, líder do Solidariedade na Câmara dos Deputados também manifestaram pesar pela morte das vítimas. Já o presidente nacional do PSTU, Zé Maria, destacou que, embora seu partido não tivesse "identidade política nem de classe com o ex-governador", nem apoiasse Campos como uma alternativa nas eleições presidenciais, lamenta o acidente e o drama humano. 

Os candidatos ao governo do Rio Luiz Fernando Pezão, Anthony Garotinho e Lindberg Farias também expressaram seus sentimentos e solidariedade às vítimas.  "As conquistas e os prêmios de reconhecimento atestam o trabalho e o comprometimento de Eduardo Campos com o bem estar social e a vida cotidiana do pernambucano. Estas premissas também guiavam suas propostas para o Brasil", declarou Pezão, que decretou luto oficial de três dias no estado.

Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, prestou suas condolências por meio de nota. "O Brasil perde um grande líder, um homem público sensível, uma esperança para os que seguem acreditando no exercício da Política como instrumento de fortalecimento democrático". 

O presidente da Presidente da Câmara Municipal de São Paulo, José Américo Dias, disse em nota que Eduardo Campos "esteve presente nas principais lutas democráticas e sociais do nosso país nos últimos anos, particular em favor da população menos favorecida". O deputado Paulo Melo (PMDB), presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, declarou que Campos  "tinha um futuro brilhante, era uma pessoa preparada e que dirigiu, de forma diligente, o seu estado".

O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins da Silva Júnior, lembrou que a CNA não toma partido,  mas que Eduardo Campos revelou "empolgante disposição" quando esteve em sabatina na Confederação na semana passada para mostrar sua "profunda visão dos desafios e potencialidades da agropecuária brasileira". 

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), "a determinação, o espírito público, a capacidade de gestão e a habilidade de articulação política [de Campos] fizeram dele um dos governadores mais bem avaliados do país e o colocaram entre os principais presidenciáveis". A CNI disse ainda que a perda  "desse jovem líder entristece a todos e empobrece a política brasileira". 

A direção Nacional do MST expressou pesar e disse que "Campos foi um grande amigo do MST e apoiador da luta pela terra e pela Reforma Agrária, fato que o fez ganhar notável confiança dos trabalhadores rurais do estado de Pernambuco".

O presidente da OAB Nacional, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, lamentou profundamente a morte. “ O Brasil perde um grande homem público, um estadista, alguém dedicado à causa de servir ao próximo. A OAB Nacional e a OAB Pernambuco, em especial, permanecem nutrindo a maior admiração por Eduardo Campos, dono de um diálogo aberto, fraterno e franco com a advocacia". Para o presidente da OAB/RJ, Felipe Santa Cruz,  "Em sua trajetória de homem público, Campos esteve sempre alinhado aos valores do Estado Democrático de Direito, da cidadania e das causas sociais. Sua morte deixa uma lacuna na política brasileira".

Murilo Portugal, presidente da Febraban, afirmou estar profundamente chocado com a notícia e  que o "Brasil e Pernambuco perderam um grande líder politico e um administrador público competente".

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