Por monica.lima

Brasília - A reviravolta com a meteórica elevação de Marina Silva nas intenções de votos passou como um furacão nos comitês de campanha dos candidatos Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) e está obrigando a uma forte revisão de estratégias. Ao invés dos ataques mútuos, como vinha acontecendo, ambos trabalharão para desconstruir a imagem de Marina Silva como representante da nova política e mostrar que a candidata não tem experiência para governar o país.

Segundo uma fonte ligada à campanha de Dilma Rousseff, a estratégia agora será demonstrar que Marina já acena com a possibilidade de aliança com o PSDB, partido com o qual dizia que não se alinharia. Isso denunciaria a contradição entre o discurso atual e o de antes de se tornar candidata. Marina tem dito em entrevistas, e repetiu no debate na TV Band, que, caso eleita, trabalhará com as melhores cabeças do PT e do PSDB.

“A desconstrução da imagem da Marina é algo difícil, e o espaço que temos é questioná-la como candidata da terceira via, apontando essa contradição”, disse uma fonte do governo próxima ao comitê de campanha petista.

A percepção na equipe de Dilma é de que as pesquisas mais recentes decretaram o fim da linha para a Aécio Neves na corrida eleitoral. “Ele não representa mais uma ameaça”, diz um membro do comitê de campanha que prefere não se identificar. Agora, a única preocupação passa a ser Marina.
Outra decisão petista é reforçar a utilização das redes sociais, terreno fértil de Marina Silva. “Ela tem nas redes um canal forte de comunicação com o eleitor, foi assim que ela cresceu em 2010. Por isso, a campanha, que já vem utilizando esse instrumento, vai ampliar a interlocução com o eleitor nas redes”, diz a fonte.

A avaliação no Planalto, segundo as fontes, é de que os resultados das últimas pesquisas estão influenciados pela emotividade envolvendo a tragédia com Campos. Os coordenadores de campanha acham que Marina é uma candidata forte, sem passado em administração executiva, mas com uma história quase lendária, difícil de ser desconstruída. “A nova estratégia vai levar em conta o risco de que Marina é uma candidata que, dependendo da forma como se bate, ela cresce, porque se vitimiza”, acrescentou a fonte.

A mesma preocupação tem a equipe de Aécio Neves. O candidato já está usando a estratégia de desqualificar tecnicamente Marina evitando, no entanto, ser agressivo. Ontem, em entrevista coletiva após evento de campanha em São Paulo, o tucano alfinetou Marina dizendo que “o Brasil não é para amadores”.

Para o cientista político Paulo Kramer, o temor dos dois comitês tem fundamento: “Existe uma aura de santidade em torno da imagem de Marina Silva. E em santa, não se deve bater”. Para ele, não há outro caminho a não ser desconstruir Marina. “É bom lembrar que a ascensão de Marina não se deve apenas à comoção pela morte de Eduardo Campos. O que se vê hoje nas pesquisas é a retomada de um índice já apontado por pesquisas no ano passado. Naquela época, as pesquisas já mostravam Marina com aceitação de 25%”, recorda Kramer.

O alvo de Aécio não será apenas Marina. Também faz parte da estratégia tucana apontar falhas no governo atual, provocando, assim, uma elevação nos índices de rejeição à presidenta Dilma, que já é alto. A pesquisa CNT/MDA, divulgada ontem, mostra a presidenta com 45,5% de rejeição entre os eleitores. “Em ciência política existe uma máxima de que o candidato que chega ao segundo turno com mais de 40% de rejeição perde, porque esses votos migram para o seu opositor, e os eleitores dos outros candidatos se unem ao adversário”, aponta Kramer.

Por isso, a equipe de Aécio pretende recuperar os votos transferidos para Marina e chegar ao segundo turno com Dilma sofrendo alta rejeição. Para o senador Aloysio Nunes, candidato a vice na chapa de Aécio, ainda há tempo de se recuperar. “Nós já esperávamos que houvesse essa mudança e, mesmo antes de Eduardo morrer, contabilizávamos que essa terceira via tenderia a crescer. Claro que, com a morte dele, Marina cresceu acima do que prevíamos”, diz Nunes. Ele considera que as pesquisas de agora ainda refletem a comoção popular e, por isso, acha factível reaver os eleitores perdidos: “Esta é uma eleição que tem três candidatos fortes e nós contamos com a nossa força, inclusive na propaganda eleitoral, para reverter a situação”.

Enquanto isso, alguns petistas já comemoram a derrocada de Aécio. O senador Aníbal Diniz (PT-AC) celebrou como vitória antecipada a possibilidade de ter duas mulheres no segundo turno: “Aécio virou suco de laranja. Quando muito, nos veremos na campanha de 2018”. Confrontado com o comentário, Aloysio Nunes rebateu: “Deixa eles comemorarem, quem ri por último, ri melhor!”.

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