Biometria e boca de urna geram confusões nas eleições no Rio de Janeiro

Presidente do TSE, Dias Toffoli, admitiu que há problemas com o atraso na votação por causa da identificação biométrica

Por O Dia

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Dias Toffoli, admitiu que há problemas com o atraso na votação por causa da identificação biométrica. No entanto, afirmou que isso não é generalizado no país. Com essa demora, senhas serão distribuídas para os eleitores que chegarem à seção eleitoral antes de 17h para garantir que a votação ocorra depois do encerramento oficial das eleições. Por isso, Toffoli evitou comprometer-se com um horário para o anúncio oficial do resultado estatístico da eleição para a presidência da República.

- Não vamos fazer previsão. Isso não é uma competição - frisou Toffoli.

Nas eleições anteriores, essa divulgação foi feita em torno das 20h. O presidente do TSE disse apenas que deverá ser na noite deste domingo. Em entrevista coletiva, ele comparou a adoção da identificação biométrica pelo país como a compra de um carro novo. E argumentou que na primeira vez que o motorista entra no carro não tem familiaridade com o equipamento.

Utilizadas pela primeira vez em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, as urnas biométricas, que identificam o eleitor pelas digitais, causaram filas e dividiram opiniões. Na cidade, a reportagem flagrou boca de urna em vários locais de votação e até compra de voto. Niterói é sétimo colégio eleitoral do estado,com 352,4 mil eleitores.

Problemas com as urnas biométricas foram relatados em seções do centro, Largo da Batalha e de Santa Cruz. O principal problema ocorreu com uma máquina especial utilizada para identificação dos eleitores. Em muitos casos, após oito tentativas inválidas, os mesários tiveram de fazer identificação manual dos eleitores.

A aposentada Ana Maria Muguel, de 61 anos, disse que esta eleição foi a que lhe tomou mais tempo. “A biometria custa a identificar a digital. Tem um aparelho para reconhecer [a digital], mas você passa uma, duas, três vezes e nada. É muita demora”, comentou. A diarista Márcia Regina de Souza, de 47 anos, teve a mesma impressão e classificou a eleição como “enrolada”. “Tem uma maquininha só em cada sala. Passei o dedo um monte de vezes e não consegui”, salientou.

Em sua primeira votação, Lorrana Muget Ribeiro, de 18 anos, também não teve sorte. “Foi mais ou menos. A maquininha de colocar o dedo [a digital], é que demora bastante. Depois, foi rápido”, assinalou. Ela escolheu os candidatos em conversas com a família e assistindo a debates, além de programas no rádio e televisão.

Alguns eleitores de Niterói não tiveram problemas e elogiaram a biometria. “Não demorou nada. Foi rápido”, avaliou a também aposentada Iracema Corrêa, de 77 anos. A mesma sensação teve a administradora Marna Izabel Rodrigues, de 58 anos. “Não tive problema algum. Levei menos de 20 minutos e deu tudo certo”, afirmou.

Em Niterói, a boca de urna predominou em todas as seções. Na Escola Estadual Leopoldo Fróes – o maior local de votação da cidade -, um cabo eleitoral foi flagrado pagando R$ 50 para um eleitor que tinha acabado de votar. No local, dezenas de cabos eleitorais distribuíam santinhos sem constrangimento.

“Tenho duas filhas para criar. Estou recebendo de um e de outro. São R$ 120 por dia. Não dá para abrir mão”, observou uma das pessoas flagradas na boca de urna. Durante a campanha, elas chegaram a ganhar entre R$ 500 e R$ 700 por quinzena.

Crianças desacompanhadas também foram vistas com material de campanha. Com a chegada de um carro da Polícia Rodoviária Federal, elas descartaram panfletos de um dos principais candidatos a deputado federal.

De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral, boca de urna é crime. No dia de votação, só é permitida a manifestação individual e silenciosa do eleitor. Ficam proibidos a aglomeração de pessoas, veículos com material de propaganda e qualquer espécie de propaganda. A pena varia de seis meses a um ano, prestação de serviço à comunidade e multa.

Últimas de _legado_Notícia