Por bruno.dutra

São Paulo - A reforma política e a regulamentação dos meios de comunicação serão defendidas pelo PT como ações prioritárias no próximo mandato de Dilma Rousseff, reeleita nesse domingo para mais quatro anos de governo, disse nessa segunda-feira o presidente nacional do PT, Rui Falcão, em entrevista à imprensa, na cidade de São Paulo.

“Sobre a democratização dos meios de comunicação, que não afeta a mídia impressa, mas se dirige aos veículos que são detentores de concessões de serviço público de radiodifusão, a Constituição prevê, em seu Artigo 220, a mais ampla liberdade de expressão de pensamento, que defendemos ferrenhamente. Agora, o mesmo item que trata da comunicação social, proíbe a existência de oligopólios e monopólios na comunicação. Nós do PT vamos continuar insistindo para regulamentar [de acordo com] a Constituição no que diz respeito a esses artigos. Considero essa uma das mais importantes reformas do Brasil ao lado da reforma política", disse.

Sobre a reforma política, Falcão lembrou que já existe uma proposta feita pela presidenta, com 189 assinaturas, convocando o plebiscito. As questões que estarão no plebiscito, acrescentou, ainda serão objeto de debate.

O presidente do PT também falou que o partido não vai determinar quem será o próximo ministro da Fazenda do governo Dilma e que não se oporia à indicação de alguém que não fosse do partido. "O partido não manda no governo e o governo não controla o partido. É natural que a gente seja ouvido [sobre a indicação do ministro]. Se for um quadro preparado e leal ao programa de governo e que a maioria do povo brasileiro aprovou, não haveria restrição a isso".

Para ele, o fato da eleição no segundo turno ter sido muito disputada, com Dilma sendo reeleita com 51,64% dos votos contra 48,36% de Aécio Neves (PSDB) recebeu 48,36%, demonstrou um “sentimento de mudança muito forte no país”. E admitiu que o PT possa fazer mudanças. “É natural que depois de 12 anos de governo e sendo a gente um partido com muitas propostas e aguerrimento na militância, haja aqui e ali resistência ao partido. Mas o que a eleição mostrou é que a maioria da população brasileira votou com a Dilma e com o PT. É claro que o partido está sempre aberto e vai fazer isso, está se renovando e está se reestruturando”, disse.

Rui Falcão manifestou sua alegria coma vitória nas eleições presidenciais deste ano. “Tanto que estou sem voz. A campanha de 1989, que também foi muito disputada, foi uma campanha épica. Essa que fizemos agora foi dramática até o final, mas um drama com final feliz para nós”.

Ele negou que o Brasil saiu dividido das eleições. "Não acredito nessa divisão até porque o Brasil é um só e os dois candidatos foram votados no Brasil inteiro”, disse. “Não vejo necessidade de pacificar o país porque ele não está conflagrado. É natural que nas democracias, nos regimes presidencialistas, o governo dialogue permanentemente com a oposição. E é natural que a oposição se constitua como tal, que fiscalize, que critique, que proponha e que derrote projetos do governo. Esse diálogo vai ser mais exercitado agora, assim que começarem as tratativas políticas para a constituição do novo Parlamento", acrescentou.

O presidente do PT também comentou sobre a operação Lava Jato [que investiga um esquema de corrupção na Petrobras], dizendo que o partido já se dirigiu ao Supremo Tribunal Federal e também à Procuradoria-Geral da República para solicitar acesso aos termos da delação premiada. A intenção, segundo ele, é verificar se há alguma delação referente a militantes do partido. “A alusão genérica ao PT atinge a todos nós e é preciso que isso seja personalizado. Se isso existir e é preciso que haja provas comprovando a participação de qualquer filiado nosso a crimes, o PT tomará as providências previstas no estatuto do partido [contra o militante]”.

Para o tesoureiro e coordenador financeiro da campanha de reeleição de Dilma à Presidência, Edinho Silva, a eleição demonstrou que será necessário que o Congresso faça “uma nova regulamentação eleitoral, tornando os elementos mais equânimes na disputa”. “A democracia se consolida quando há condições igualitárias na disputa e esse é um processo que temos que avaliar. Temos que fazer não só a reforma política, mas uma reforma eleitoral que torne, cada vez mais, as disputas equânimes”, disse.

Edinho ressaltou que a derrota significativa do partido no estado de São Paulo não se deve a uma desorganização do PT, mas é resultado das manifestações de junho do ano passado, que para ele foram “um divisor histórico”, e também aos ataques sofridos pelo partido no estado. Outro fator que explicaria a derrota do partido em São Paulo seria a criação de uma nova classe média que teria sido influenciada por setores mais conservadores. “O que penso é que os setores médios desses bairros [da zona leste da capital paulista, antigo reduto petista] tiveram uma contaminação da opinião pública de setores médios mais tradicionais da cidade de São Paulo”.

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