Por monica.lima

Brasília - A nova equipe econômica da presidenta Dilma Rousseff assumirá tendo como foco imediato e prioritário restaurar a credibilidade da política econômica e retomar o rigor fiscal. Um conjunto de medidas de redução de despesas já está em elaboração no Ministério da Fazenda de forma a garantir para 2015 um resultado primário próximo dos prometidos 2% do PIB. Na quinta-feira, Dilma mantinha a disposição de anunciar sua nova equipe econômica na própria sexta-feira ou, no máximo, no início desta semana. Para reforçar a sinalização em direção a uma gestão mais austera das contas públicas, a intenção da presidenta era anunciar não apenas os nomes dos ministros da Fazenda e do Planejamento, mas também o do novo secretário do Tesouro.

Já se sabia na quinta-feira que o atual presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, não assumirá o cargo. Impedimentos societários e sucessórios acabaram inviabilizando sua saída do banco. No Bradesco desde os 18 anos de idade, Trabuco é apontado como o sucessor de Lázaro Brandão na presidência do Conselho de Administração do banco, ponto máximo da carreira. Dilma chegou a conversar com o próprio presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Lázaro Brandão, em Brasília, na última terça-feira 18.

Na quinta-feira, apesar da suspensão da agenda para comparecer ao velório do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, a disposição da presidenta era anunciar a nova equipe econômica na própria sexta-feira ou, no máximo, no início da próxima semana. Sobre a mesa permaneciam os nomes do ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, e o do atual presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, mas, segundo interlocutores do governo, ainda havia chance de a presidenta trazer um novo nome do mercado. Nessa hipótese, Nelson Barbosa seria deslocado para do Ministério do Planejamento.

Uma das especulações envolvia o nome do ex-secretário do Tesouro, Joaquim Levy, também no Bradesco. Mas, segundo um interlocutor do governo, este não seria o nome dos sonhos de Dilma. Entre os interlocutores mais próximos de Dilma, há ainda a avaliação de que tirar Tombini do Banco Central seria mexer em uma área que está funcionando bem. O próprio presidente do BC preferiria permanecer no cargo para cumprir a missão de colocar a inflação no centro da meta (4,5% ao ano) em 2016. Apesar do poderoso padrinho — o próprio presidente Lula — o nome do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles havia perdido força e tendia a ser descartado.

O anúncio rápido da equipe econômica também contribuirá para diluir a pauta do noticiário, hoje muito concentrada no escândalo envolvendo os contratos da Petrobras. O Palácio do Planalto também trabalha em uma pauta positiva de divulgações até o final do ano.

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