Por bruno.dutra

Brasília - A tensão entre PT e PMDB na disputa pela Presidência da Câmara se ampliou ontem. Ao mesmo tempo em que o PSD, partido do ministro das Cidades, Gilberto Kassab, formalizava seu apoio ao candidato petista Arlindo Chinaglia (SP), o deputado federal Eduardo Cunha (RJ), concorrente pelo PMDB, anunciava o rompimento de relações da bancada de seu partido com a liderança do governo na Câmara — uma resposta aos ataques da véspera do líder do governo Henrique Fontana (PT-RS), que convocou coletiva para criticar o peemedebista.

“Fontana sempre foi um líder fraco, desagregador, radical em suas posições e que levou o governo a várias derrotas pelas suas posições”, reagiu Cunha, através de sua conta no Twitter. “A bancada do PMDB na Câmara não reconhecerá mais a sua liderança e não se submeterá mais a ela”, avisou.

Cunha disse ainda ser “inaceitável” a interferência de Fontana como líder do governo na eleição da Câmara: “Ele se comporta como líder do PT no governo, e não como líder de um governo que tem vários partidos na sua base”.

Para os peemdebistas, a tomada de posição do PSD foi entendida como a concretização do “toma lá, dá cá” entre governo e parlamentares, que vem sendo denunciado por Cunha e seus aliados. No anúncio, o novo líder do PSD, Rogério Rosso (DF), fez questão de distanciar Gilberto Kassab das negociações. “O ministro Kassab é presidente licenciado do PSD. Está absolutamente focado na pasta das cidades”, disse.

“Criou-se na máquina uma prática que distancia aquilo que se diz daquilo que se faz”, comentou ao Brasil Econômico o deputado Danilo Forte, vice-líder do PMDB na Câmara e um dos coordenadores da campanha de Eduardo Cunha. “Os fatos demonstram como funciona o ‘toma lá, dá cá’. Esta é a ânsia do ministro que ganhou uma pasta muito maior do que é o seu partido e agora ele responde com esse gesto de apoio no parlamento”, completou.

Segundo cálculos da campanha petista, com a adesão do PSD, com seus 36 deputados, a chapa de Chinaglia conta com 126 votos. Mas, para vencer no primeiro turno, será necessário chegar a 257 parlamentares.

Caso não siga concorrendo em um eventual segundo turno, o candidato petista declarou que dará seu voto a Julio Delgado (PSB-MG). Delgado concorre apoiado por PSDB, PPS e PV, partidos que atuaram de maneira feroz na campanha para presidente da República no ano passado. Questonado por que não apoiaria Cunha, já que seu partido também compõe a base, Chinaglia respondeu: “Se eu não for para o segundo turno, prefiro um candidato que, quando fala, prova; que não insinua. Prefiro um candidato que tem um padrão político que me agrada. Se eu não for para o segundo turno eu prefiro o Julio”.

Segundo o parlamentar petista, em nenhum momento Julio fez qualquer consideração, insinuação ou algo que questionasse a legitimidade de sua candidatura. Cunha, disse, o acusa de estar usando a máquina do governo para ganhar votos. “A mim é atribuído ser um suposto beneficiário de uma ação de governo”, reclamou Chinaglia, que disse considerar “normal” que agentes do Poder Executivo com influência em seus partidos peçam voto, como ocorreu com o vice-presidente da República. “Do ponto de vista da democracia, o vice-presidente tem toda legitimidade de quem foi eleito e de quem tem influência no PMDB e eu não vou reclamar porque ele assinou uma nota apoiando o candidato do PMDB”.

A declaração pública de apoio a Delgado feita por Chinaglia soou como sinal de que há um acordo sendo costurado para a adesão do deputado mineiro ao candidato do PT, caso seja ele o concorrente de Eduardo Cunha. Mas Chinaglia nega que haja esse acordo.

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