Por bruno.dutra

Brasília - Carpete lavado, tapete vermelho estendido, o cenário está pronto para a estreia da nova legislatura no Congresso Nacional nesse domingo. Só não se sabe é se o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), até poucos dias favoritos para a presidência da Câmara e do Senado, respectivamente, conseguirão eleger-se.

Nesta sexta, enquanto os funcionários prepararão os espaços para abrigar os 223 novos deputados e 27 senadores, os quatro candidatos da Câmara e os dois do Senado intensificarão os esforços para conquistar o voto dos indecisos, principalmente entre os que estão chegando. Diversos partidos e blocos deixaram para definir suas posições em reuniões agendadas para hoje e amanhã.

A disputa tem sido apontada como a mais incerta dos últimos anos. Na Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) anunciava ontem sua vitória no primeiro turno. Mas para isto acontecer, precisaria de 257 votos a seu favor. Cálculos feitos a partir do apoio declarado por lideranças partidárias levam os coordenadores de cada campanha a projetar os votos já garantidos. Nas contas do PMDB, até ontem, Cunha teria 200 votos. Na campanha do PSB a contagem aponta para 140 votos e no PT, 150. Mas como a votação é secreta, a migração de votos entre os candidatos é esperada. Além disso, o PP, o PRB e o bloco dos partidos nanicos, chamado de G10 (PHS, PtdoB, PSL, PMN, PTN, PRTB, PSDC, PRP, PTC e PEN) ainda não decidiram para que lado vão.

“Esta será a eleição do imponderável”, diz o líder do PSDB na casa, Antônio Imbassahy (BA), que conta com a vitória do candidato pelo PSB, Julio Delgado (MG) no segundo turno. Julio concorre com o governista Arlindo Chinaglia (PT-SP) para disputar com Cunha, o favorito. Há ainda o nome de Chico Alencar (PSOL-RJ), que não tem chances de ir para o segundo turno, mas poderá ficar com os votos dos insatisfeitos.

Ontem, o dia foi marcado por intenso assédio aos novatos e pelo disse-me-disse. Cunha chegou a acusar Chinaglia de prometer liberar emendar parlamentares aos novatos. “Recebi informações de parlamentares e até mesmo de técnicos da consultoria de orçamento de que esta promessa estava sendo feita”, disse o parlamentar. “Nem mesmo um novato acredita nesta promessa”, completou.

Henrique Fontana (PT-RS), coordenador da campanha de Chinaglia, afirmou não haver procedência nas acusações feitas por Cunha. “Depois que passar a eleição, ele (Cunha) vai perceber que este tipo de acusação não levou a nada. Outro informação que circulou ontem foi a de que o PSDB retiraria o apoio a Julio Delgado para compor com Eduardo Cunha. Foi preciso que Imbassahy e o próprio Delgado convocassem a imprensa para negar a dissidência.

“Não há esta hipótese. Os 54 deputados do PSDB estão decididos a votar no Delgado”, garantiu a Imbassahy ao recordar o acordo firmado ainda nas eleições para presidente da República. O mal entendido surgiu a partir de declarações de Márcio França, vice-governador de Geraldo Alckmin. Integrante do PSB, França desaconselhou Delgado a manter a candidatura, sob a argumentação de que parlamentares tucanos votariam em Cunha.

No senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que até uma semana atrás era unanimidade, tem sua candidatura ameaçada pelo colega de partido Luiz Henrique (SC). O partido marcou para hoje a reunião na qual será votado o nome do candidato pela legenda. Na bancada, é certo que o escolhido será Renan. Mas Luiz Henrique promete manter sua candidatura avulsa e já aumentou a lista dos apoiadores. Além de PDT, DEM e PSDB, que já haviam defendido o seu nome, ganhou ontem a adesão de importantes lideranças do PP e do PSB, como Ana Amélia (PP-RS) e Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), que abriu mão de se lançar para apoiar Henrique.

“Está na hora de o Parlamento dar uma resposta clara aos movimentos de junho de 2013. O senador Renan daria uma demonstração desta disposição de mudança se abrisse espaço para o novo candidato”, disse a Ana Amélia.

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