Por bruno.dutra

Rio - Depois de quase impor a derrota à presidenta Dilma Rousseff no Rio de Janeiro, com a chapa “Aezão”, que decidiu apoiar a dobradinha Pezão para governador e o tucano Aécio Neves para presidente da República, o PMDB fluminense, agora, avança para ocupar cargos de liderança no cenário nacional. Fragmentada, a bancada de deputados peemedebistas se reúne amanhã para escolher o líder na Câmara, em Brasília.

Atualmente, a bancada peemedebista conta com 66 deputados federais. O Rio de Janeiro possui oito cadeiras na Câmara, a maior participação entre os estados. Único candidato oficial até agora para liderar o bloco de parlamentares do PMDB em Brasília, Leonardo Picciani (RJ) contabiliza 30 votos declarados. Pelos números, ele precisaria conquistar mais quatro deputados (50% mais um) para vencer a disputa.

O temor, pelo que vem sendo chamado de “hegemonia fluminense” sobre o PMDB nacional, provocou mais uma reação. Ontem à noite, os deputados federais Danilo Forte (CE), Marcelo Castro (PI), Manoel Júnior (PB) e Lúcio Vieira Lima (BA) convocaram uma reunião para lançar um candidato nordestino à liderança da bancada. A assessoria do deputado Danilo Forte garante ter 35 votos de peemedebistas.

Picciani, no entanto, prefere acreditar que a estratégia da ala nordestina do PMDB ainda é frágil. Ele argumenta que a boa vontade dos deputados que votariam no candidato nordestino dependerá muito do nome escolhido na reunião. “Trata-se de um bloco de indecisos, não há fechamento desses deputados com nenhum nome. Alguns têm um ou outro candidato preferido. Se o escolhido não for da vontade de alguns deles, eles migrarão para a minha candidatura”, disse Picciani, rebatendo a ideia de que há uma tentativa de hegemonia de seu estado sobre o partido.

“Na falta de argumento, estão usando esse. A prova contrária é que tenho apoio de deputados peemedebistas em todas as regiões. E Eduardo Cunha é presidente da Câmara, não por ser do Rio de Janeiro, mas pelas alianças que ele construiu. O estado não tem ministros, outros estados têm; não tem também as atribuições que outros estados possuem”, criticou o deputado.

Para o cientista político Paulo Kramer, professor licenciado da Universidade de Brasília (UnB), há uma desconfiança que paira sobre o partido desde a recente vitória de Eduardo Cunha. “Ele é o segundo na linha de sucessão presidencial. E o que fortalece o PMDB de Cunha, fortalece também o PMDB do Rio de Janeiro. Hoje, com todas essas crises do governo federal, o PMDB está com mais perspectivas de poder, e quem está à frente disso é a ala fluminense do partido”, avalia Kramer, apostando numa cisão interna da legenda.

Um assessor do vice-presidente da República e presidente licenciado do PMDB, Michel Temer, reitera que a bancada está “bem dividida” por medo da predominância do Rio na Câmara. “A vitória do Eduardo Cunha está dando o tom desse avanço”, comenta, dando garantias de que Temer não vai interferir na disputa.

As ambições fluminenses não estão restritas apenas a Cunha e Picciani. Entre os peemedebistas do estado, o nome de Sérgio Cabral vem sendo citado para comandar o partido no futuro, embora o ex-governador não admita. Além dele, a legenda cogita lançar candidato à presidência da República. Há pouco mais de um ano, em entrevista ao Brasil Econômico, Temer declarou que o PMDB vai se preparar para ter candidato próprio em 2018. No páreo, está o prefeito do Rio, Eduardo Paes.

“Isso (Paes como pré-candidato) não é algo inventado pelo Rio de Janeiro. O presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp, que é de Rondônia, foi quem lançou o nome do Paes”, afirmou o deputado Picciani.

Mas se até lá o PMDB se mantiver na base aliada, outro futuro que vem sendo aventado para o prefeito é ser vice na chapa de Lula para voltar ao Planalto. A vontade é do próprio ex-presidente e do PT fluminense, que ensaia uma reaproximação dos peemedebistas.

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