Governo estuda ‘desidratar’ poder de Aloizio Mercadante

Com o crescimento da ideia de “reestruturação profunda’ na articulação, atuação de ministro da Casa Civil pode ser limitada

Por O Dia

Com um diagnóstico pouco animador para os próximos meses, cresce no governo a ideia de se fazer uma “reestruturação profunda” de seu núcleo central, na esperança de acalmar a crise que atinge a presidenta Dilma Rousseff. As medidas ainda estão sendo negociadas, mas auxiliares diretos da presidenta admitem que pelo menos dois eixos estão em discussão. O primeiro é uma possível “desidratação” da função hoje exercida pelo ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que concentra o papel de principal articulador do governo. O segundo resgata uma proposta antiga, que no passado já enfrentou resistência da própria Dilma e do PT: entregar a Secretaria de Relações Institucionais (SRI) para o PMDB.

Ontem, o Planalto informou, em nota, que “não corresponde à verdade o rumor de que a presidenta Dilma Rousseff tenha recebido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a sugestão de mudança na chefia da Casa Civil. O ministro Aloizio Mercadante tem total confiança da presidenta e seguirá cumprindo suas funções à frente da Casa Civil”. Auxiliares de Dilma apontam, entretanto, que muito do que está em discussão é a possibilidade de Mercadante dividir parte das funções que exerce atualmente com colegas de Esplanada. O nome tido como natural para auxiliar na função é o do ministro da Defesa, Jaques Wagner.

Já a possibilidade de uma troca de comando na Secretaria de Relações Internacionais é tida como opção clara para acalmar o PMDB e apaziguar a base aliada no Congresso. Conforme publicado na última quinta-feira, no Brasil Econômico, interlocutores do Congresso avaliam que o ministro Pepe Vargas fracassou em sua missão de promover o diálogo entre os dois poderes e acabou colaborando para o agravamento da crise. A prova disso seria o fato de que até o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), incorporou o espírito da “independência”, como já vinha fazendo o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Se a ideia avançar, um nome proposto para assumir a Secretaria de Relações Institucionais é o do ex-presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). O peemedebista ficou sem mandato desde a última eleição e aguardava apenas a confirmação de que está fora da lista de investigados da Lava Jato para negociar sua entrada na Esplanada. O plano original era acomodar Henrique em pastas como o Turismo ou a Integração Nacional, mas pelo menos dois interlocutores de Dilma já sugeriram que a SRI seja entregue ao peemedebista.

A reconfiguração da Esplanada entra em discussão no momento em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou as recomendações para que Dilma faça uma nova reforma ministerial. Lula queixou-se do funcionamento do núcleo central do governo e disse considerar problemático o fato de o PMDB não ter participação ativa na tomada de decisões dentro do Palácio do Planalto. Segundo interlocutores, o ex-presidente também vem se queixando há algum tempo do modelo que coloca Mercadante como uma espécie de “todo-poderoso” do governo.

Ontem, Renan Calheiros voltou a atacar o governo de Dilma Rousseff e reclamar que a relação com a base aliada não foi solucionada, apesar das tentativas de afinação entre Congresso e Executivo em relação à edição da MP sobre o reajuste do Imposto de Renda, cujo teor foi alterado para satisfazer aos parlamentares da base.

“Do ponto de vista da aliança, não se resolveu nada. Evidente que eu não falo pelo partido, mas pelo Congresso Nacional. Do ponto de vista do Congresso Nacional, nós tivemos uma inversão de tudo que estava acontecendo até aqui. Devolvemos a MP e hoje foi editada uma MP como produto da conversa com o Congresso. Agora, a coisa da aliança precisa ter um fundamento, esse governo parece que envelheceu, mas esse é um outro assunto que está sendo tratado por outra instância do partido”, disse Renan.

com iG e Reuters

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