Por monica.lima
Publicado 17/03/2015 11:33 | Atualizado 17/03/2015 11:38

Rio - A presidenta Dilma Rousseff se emocionou ontem, durante coletiva de imprensa e cerimônia para sancionar o novo Código de Processo Civil, no Palácio do Planalto, ao ser instada a comentar as manifestações que ocorreram no domingo em diversas cidades e alguns cartazes que pediam a intervenção militar. A presidenta foi enfática ao afirmar que “valeu a pena lutar pela liberdade”.

“Nunca mais no Brasil vamos ver pessoas, ao manifestarem sua opinião, inclusive contra a Presidência da República, possam sofrer consequências, nunca mais isso vai acontecer. Quando vi centenas de milhares de cidadãos se manifestando nas ruas, não pude deixar de pensar e tenho certeza que muitos concordam comigo: valeu a pena lutar pela liberdade, pela democracia, esse país está mais forte que nunca”, afirmou.

Dilma disse que a postura do governo a partir dos protestos é a de saber ouvir os interlocutores e dialogar com diferentes setores da sociedade. “Em uma postura de um lado humilde, você tem de aceitar o diálogo, então nós temos de ser humildes. Estou aberta ao diálogo. Ao mesmo tempo, o governo tem que ter uma postura firme naquilo que ele acha que é importante”.

A presidenta acrescentou, no entanto, que o governo está ciente de que é necessário aceitar divergências e que não busca consenso. “Estamos numa fase de buscar o consenso mínimo. É da democracia não haver concordância e unanimidade. Não quero consenso. Você tem que aceitar que vozes são diferentes num país complexo como esse, mas tem de haver responsabilidade com as instituições”, argumentou.

Dilma voltou a defender o ajuste fiscal em curso em seu segundo mandato e, ao ser questionada se seu governo cometeu erros, admitiu que pode, sim, ter havido “erro de dosagem na reação à crise”.

“Ninguém pode negar que não fizemos de tudo para a economia reagir. Em qualquer atividade humana se comete erros, longe de mim achar que não cometi erro nenhum. O que não posso é ser responsabilizada por algo que seria pior se não tivéssemos feito”, justificou.

A presidenta negou que haja afastamento do PMDB e a tentativa do núcleo duro do governo de tentar isolar o maior partido da base aliada. “Longe de nós querer isolar o PMDB. Nós temos uma parceria com o PMDB. Agora, nós temos no Brasil uma situação que temos de construir também. Ninguém aqui pode achar que as instituições políticas do país estão à altura das necessidades do país. E aí vale para todos os partidos, sem exceção”.

No Rio de Janeiro, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) participou de um almoço com empresários da Federação das Indústrias do Rio (FIRJAN) e falou com a imprensa sobre a conversa que teve com a presidenta ontem pela manhã. “Falamos sobre o que o governo deve fazer para atender ao clamor das ruas. Em junho de 2013, o governo se reuniu e tomou uma série de providências. Agora, elas se impõem novamente e passam pelo chamado ajuste econômico”, disse o vice-presidente.

Temer negou que o governo esteja subestimando seu poder de promover melhor diálogo com o Legislativo, presidido nas duas Casas por seus correligionários Eduardo Cunha, da Câmara, e Renan Calheiros, do Senado. “Posso modestamente colaborar, porque tenho uma longa vivência no Legislativo. Falam muito que fui afastado, mas confesso que a presidente fala comigo com muita frequência. É claro que cada um tem o seu nucleozinho pessoal, mas nunca fui afastado das decisões”, comentou.

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