Eduardo Cunha é empecilho para Fernando Haddad em São Paulo

Aliados do presidente da Câmara se articulam para afastar o PMDB do prefeito petista, que tem quatro secretários ligados ao partido

Por O Dia

São Paulo - O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deixou de ser uma preocupação apenas para o governo federal e já começa a colocar em risco os planos petistas também em estados e municípios. A influência do parlamentar é crescente em seu partido inclusive para além das divisas do Rio de Janeiro. A ascensão já ameaça a liderança exercida pelo vice-presidente Michel Temer, principal dirigente nacional do partido, inclusive em São Paulo, terra natal do companheiro de chapa da presidenta Dilma Rousseff. Um exemplo é a situação da capital, onde políticos próximos a Cunha trabalham contra a coligação do PMDB com o prefeito Fernando Haddad (PT), de olho na disputa da reeleição em 2016.

Considerado próximo de Cunha, o deputado estadual Jorge Caruso tem articulado um movimento contra a aliança com o PT. Ele já manifestou o desejo de enfrentar Haddad na eleição municipal, apesar de seu partido estar na base do prefeito e participar da gestão com quatro secretários: Gabriel Chalita (Educação), Luciana Temer (Assistência Social), Marianne Pinotti (Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida) e Roberto Porto (Controladoria Geral do Município). Temer e Chalita são os fiadores da aliança entre os dois partidos na cidade.

Tesoureiro do PMDB paulista, Caruso está em ascensão na máquina partidária e os quatro vereadores do partido na capital são aliados dele. Líder do partido da Assembleia Legislativa, ele é deputado em quarto mandato. Integrante da base do governador Geraldo Alckmin, Caruso mobilizou os colegas mais de uma vez para pressionar o Executivo por mais espaço no governo.

Apesar de o partido ter quatro secretários, a bancada peemedebista na Câmara Municipal tem mostrado pouco empenho em apoiar os projetos do Executivo. O problema é que os vereadores se sentem pouco contemplados pelas escolhas de secretários e dentro da estrutura da pasta de cada um deles. Marianne foi uma sugestão de Chalita. Luciana é filha de Temer. Com carreira construída no Ministério Público de São Paulo, Porto foi secretário de Segurança Urbana da capital paulista antes de assumir a controladoria.

Os vereadores desejam um nome mais próximo a eles no secretariado para se reaproximar de Haddad. Uma alternativa é escolher um aliado deles para a Secretaria de Segurança Pública, que vem sendo gerida interinamente pelo antigo adjunto, Carlos Roberto Barretto, desde que Porto se tornou controlador. O nome mais citado é o do vereador e radialista Nelo Rodolfo. A indicação sofre resistências porque o parlamentar teve seu nome ligado à quadrilha que fraudava o ISS. Familiares de um envolvido trabalhavam em seu gabinete e foram demitidos.

Em janeiro, o prefeito acreditava ter dado um passo importante para ter o PMDB ao seu lado quando nomeou o ex-deputado federal Gabriel Chalita secretário de Educação. Chalita, que havia sido secretário estadual de Alckmin, é apontado como provável vice na chapa do prefeito em 2016. O secretário é presidente municipal de seu partido e já tinha exercido um papel importante na vitória de Haddad em 2012, quando o petista enfrentou o hoje senador José Serra (PSDB). Quarto colocado no primeiro turno, Chalita foi um crítico duro do ex-governador, de quem foi colega de partido, em toda a campanha eleitoral e participou da campanha do petista no segundo turno.

Na época, a medida serviu também para afastar a senadora Marta Suplicy (PT-SP) dos peemedebistas. Ex-prefeita de São Paulo, Marta sonha em disputar a sucessão de Haddad e, por isso, anda em rota de colisão com os petistas em nível municipal e nacional, inclusive com duras críticas a Haddad e, principalmente, à presidenta Dilma. O atual marido da parlamentar, o empresário e ex-presidente do Jockey Club paulista Marcio Toledo, tem relações históricas com o PMDB, o que fazia do partido um possível destino dela.

Pelo menos administrativamente, a dependência de Haddad em relação ao PMDB é bem menor que a de Dilma. No caso da presidenta, os peemedebistas são a segunda maior bancada da Câmara e a primeira do Senado, além de ter os presidentes das duas Casas. Na capital paulista, além do presidente do Legislativo ser do PT, o PMDB é apenas a quinta bancada, empatado com o PV e atrás de PT, PSDB, PSD e PTB.

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