Por monica.lima

Rio - O senador Romário Farias (PSB-RJ) deu mais um passo na pavimentação do caminho para a disputa da Prefeitura do Rio no ano que vem. Depois de assumir a presidência de seu partido no Estado do Rio de Janeiro, agora o parlamentar vai promover a dissolução de todos os diretórios municipais e garantir o controle da legenda nas negociações para obter apoio na eleição. A decisão ainda precisa ser comunicada ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ).

A medida do senador, porém, vem sendo questionada inclusive pela cúpula do PSB. No ano passado, a Executiva Nacional do partido destituiu o então presidente do diretório regional, deputado federal Glauber Braga (RJ), para entregar o cargo a Romário, que tem como capital político seus quase 5 milhões de votos na eleição para o Congresso. Mas a intervenção de Romário nos diretórios dos municípios não estava nos planos do presidente nacional da sigla, Carlos Siqueira, que tem tentado dissuadir o senador.

“Romário foi nomeado, mas não estamos de acordo com sua decisão de destituir diretórios. Essa foi uma decisão unilateral, com a qual não concordamos. Ao contrário, estamos pedindo a ele que reveja isso. Conversei com ele na quinta-feira da semana passada e disse esperar que ele retroceda. Espero que tudo isso se resolva o quanto antes”, disse Siqueira.

Romário argumentou, em entrevista aos jornais O DIA e Brasil Econômico, que analisou as estatísticas das últimas três eleições do PSB no estado e constatou a decadência do patrimônio eleitoral da legenda. Até 2014, o partido tinha três deputados federais e três estaduais. Na última eleição, elegeu apenas um representante fluminense para a Câmara Federal e outro para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

“Há algo de muito errado aí. Uma resolução do ano passado autoriza a dissolução de diretórios municipais caso estes não tenham atingido 2% dos votos para a eleição de deputado federal. Alguns diretórios estão sendo dissolvidos por isso. Outros, como o do Rio, porque foram constatadas irregularidades. Neste caso, especificamente, o ‘filho político’ de Roberto Amaral, Glauber Braga, ocupava irregularmente a presidência estadual do partido e a municipal. O estatuto veda isso claramente”, afirmou o parlamentar.

Roberto Amaral, o ex-presidente nacional do partido, hoje assessor parlamentar na Alerj, acusa a Executiva Nacional de estar usando Romário para “destruir a esquerda no Rio de Janeiro”.

“A dissolução, ilegal, dos diretórios não me surpreendeu. Esse rapaz (Romário) está sendo utilizado pelo grupo mais reacionário da Executiva Nacional do PSB para destruir o que havia de esquerda e socialismo no Rio de Janeiro, construído no correr dos anos, com muito sacrifício, por Jamil Hadadd, entre outros. Estamos diante de uma sequência de atos de força, de ações golpistas extremamente covardes, mas eficientes no projeto de descaracterização do partido no estado”, rebateu Amaral.

Segundo Romário, a reclamação parte de integrantes do diretório que estariam “se beneficiando de alguma irregularidade”, acrescentando que encontrou a sede do partido em “estado deplorável”, com aluguel vencido, além de energia elétrica, telefone e internet cortados havia três meses.

O deputado Glauber Braga, ex-presidente do diretório, disse que o senador mente e que não houve irregularidades em relação ao seu mandato à frente da legenda. Braga duvida, ainda, que Romário se lance candidato à Prefeitura do Rio, por conta da indicação de Marcos Braz para a Secretaria de Esportes do prefeito Eduardo Paes (PMDB). Ao mesmo tempo que o senador declara apoio ao pré-candidato de Paes — o secretário-executivo Pedro Paulo — ele não nega que venha a se lançar em campnha no ano que vem.

“Ele dá respostas evasivas sobre sua candidatura à prefeitura, porque já negociou espaços com o PMDB na capital. Ninguém é obrigado a votar em Renan Calheiros por acaso, ninguém faz esse movimento impunemente, ele já está comprometido até o pescoço nessa aliança com o PMDB. Ele está demonstrando ser um bom aprendiz de Eduardo Cunha”, critica Braga.

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