Por monica.lima

São Paulo - O desgaste da imagem do PT coloca em risco as candidaturas do partido nas eleições municipais do ano que vem até em seu berço histórico, o ABC paulista. Pessoas ligadas ao partido na região admitem a dificuldade mesmo para administrações com avaliação positiva da população. O bom resultado nas cidades onde se estruturou o novo sindicalismo é considerado fundamental também para garantir a ascensão do ex-ministro Luiz Marinho, aliado próximo do ex-presidente Lula e apontado como um dos possíveis nomes do partido para a disputa do Palácio dos Bandeirantes em 2018.

Luiz Marinho cumpre seu segundo mandato como prefeito de São Bernardo e tem um papel importante como líder regional do PT e interlocutor das sete cidades do ABC com o governo federal. Segundo uma enquete feita no começo deste ano pelo instituto de pesquisas do “Diário do Grande ABC”, maior jornal da região, pouco mais de 40% dos moradores da cidade consideram a sua gestão boa ou ótima. O petista, que foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, assim como Lula, teve mais de 65% dos votos quando foi reeleito em 2012.

Entre seus aliados, a expectativa é de uma disputa difícil. E Marinho tem tomado cuidado nas negociações, na hora de escolher o candidato petista à sua sucessão. Hoje, o secretário de Obras, Tarcisio Secoli, é visto como o favorito do prefeito. Ele também iniciou a vida pública dentro do Sindicato dos Metalúrgicos. Com um perfil distinto, a principal opção seria o empresário e deputado estadual Luiz Fernando Teixeira, evangélico e presidente do São Bernardo FC, time que disputa a Primeira Divisão do campeonato paulista.

Uma das baixas importantes para o PT foi o novo rompimento do ex-prefeito Maurício Soares com o partido. Eleito pelo PT nos anos 1980, ele se tornou rival do partido nas décadas seguintes e se reconciliou com os petistas quando Marinho disputava a Prefeitura em 2008. Além da possibilidade de Soares voltar a disputar o cargo aos 76 anos, o candidato petista poderá ter pela frente outros nomes fortes na cidade, como o ex-prefeito William Dib (PSDB) e o deputado federal Alex Manente (PPS), herdeiro de uma família com nome na política municipal.

Nas outras grandes cidades da região, quadro é ainda mais complicado para o PT. O prefeito de Santo André, Carlos Grana (PT), deve ser candidato à reeleição. Os próprios petistas admitem que ele enfrentou dificuldades financeiras e com o fato de enfrentar uma dura oposição da maioria dos vereadores, que lhe custou derrotas em votações importantes. O ex-prefeito Aidan Ravin (hoje no PSB), a quem Grana derrotou em 2012, é visto até agora como seu principal adversário para a disputa do ano que vem.

Em Mauá, o prefeito Donisete Braga (PT) também deverá tentar uma recondução ao cargo. O grande trunfo do prefeito, na opinião de observadores locais, é a renegociação das dívidas da cidade, depois de enfrentar dificuldades em sua gestão. Seus principais adversários são os deputados estaduais Vanessa Damo (PMDB), filha do ex-prefeito Leonel Damo, e Átila Jacomussi (PCdoB), recém-rompido com Braga e também vindo de uma família tradicional na política da região.

O PT está na oposição em Diadema, uma das primeiras cidades que administrou em sua história. Os petistas tentam convencer José de Filippi Neto a entrar na disputa, mas ele tem se mostrado reticente quanto à possibilidade. Hoje secretário municipal de Saúde na capital paulista, Filippi já administrou a cidade por três mandatos e foi considerado favorito nas sondagens já realizadas para a sucessão municipal.

O atual prefeito é Lauro Michels (PV), um dos poucos a chegar ao comando do Executivo local nos últimos anos sem ter sido petista.O ex-petista José Augusto Ramos (PSDB) também é um possível candidato. Dois vereadores do PT disputam a indicação para entrar na disputa. A direção regional do partido, no entanto, estuda a possibilidade de lançar um nome mais ligado aos sindicatos. Além de Marinho, Grana também iniciou sua vida pública na representação dos trabalhadores.

São Caetano é a única cidade da região que jamais foi governada pelo PT. Lá, o partido planeja lançar o ex-presidente da CUT Jair Meneguelli para disputar o cargo.

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