Por monica.lima

Rio - Fortes cabos eleitorais em outros tempos, Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula já não são o melhor apoio ao candidato que trilhará o caminho rumo à Prefeitura do Rio de Janeiro, no ano que vem.

A constatação é da pesquisa do Instituto GPP, de Niterói (RJ), realizada nos dias 9 e 10 de maio. Segundo o instituto, 77,2% dos 1.200 entrevistados na capital não votariam num candidato apoiado pela presidenta da República. Quando a pergunta vincula o candidato a Lula, a rejeição cai para 68,5%.

A depender das últimas movimentações dos partidos pelas alianças eleitorais, o desafio de crescer com o apoio de Dilma e Lula deverá ser encarado pelo secretário-chefe da Casa Civil do Rio, Pedro Paulo, principal pré-candidato do PMDB, que tem 4,3% da preferência. Pupilo do prefeito Eduardo Paes (PMDB), Pedro Paulo é invariavelmente elogiado por Dilma e está sempre ao lado da presidenta em palanques e nos eventos que ela participa na cidade desde o início do segundo mandato.

Para o cientista político Paulo Baía, da UFRJ, a pesquisa é ainda um desdobramento da eleição de 2014. “Os fatores eleitorais para 2016 ainda não estão dados”, afirma. Ele não deixa, no entanto, de apontar as possíveis estratégias, caso a aprovação à presidenta Dilma se mantenha nos 13% registrados pelo Datafolha em abril.

“Tivemos um exemplo recente, que foi o descolamento do então candidato Luiz Fernando Pezão de Sergio Cabral, quando a campanha percebeu que o ex-governador tirava votos. Agora, se Pedro Paulo vencer a disputa interna do PMDB contra o deputado federal Leonardo Picciani, ele terá a seu favor, para crescer na preferência do eleitorado, a máquina pública e não precisará esconder seu antecessor Eduardo Paes, muito bem avaliado pela população da cidade”, aponta Baía.

Duas vezes prefeito da capital fluminense, Paes teve no primeiro pleito, em 2008, apoio do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que encerrou este mesmo ano com aprovação acima de 80%, segundo pesquisa CNI/Ibope. Já em 2012, Paes se reelegeu com o apoio de Dilma Rousseff, que encerrava seu segundo ano de mandato com 75,7% de popularidade, pelas sondagens da Confederação Nacional do Transporte (CNT).

Além do problema inusitado na aliança, o PMDB precisará neutralizar o senador Romário (PSB), que desponta em primeiro lugar na pesquisa GGP, com 22,5% da preferência. Nos bastidores, há uma esperança de que Romário não lance sua candidatura à Prefeitura, já que recentemente indicou o secretário municipal de Esportes de Paes. No ano passado, ele se elegeu senador com 4,6 milhões de votos — mais que os 2,09 milhões de Paes para a prefeitura em 2012 e os 4,3 milhões de Pezão para o Governo do Estado.

Paulo Baía, porém, diz não acreditar em acordos ensaiados antes mesmo da pré-campanha eleitoral. Ele lembra que o PSB está empenhado em crescer no Executivo e no Legislativo: além da anunciada intenção de disputar o pleito de 2016 com candidaturas próprias em todas as capitais do Brasil, a legenda caminha para a fusão com o PPS e poderá ter a quarta maior bancada na Câmara Federal. “Dificilmente, Romário não será candidato”, resume o cientista político.

Único pré-candidato declarado, o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), que sequer era citado na pesquisa realizada pelo GPP em outubro do ano passado, figura agora com 18,9% das intenções de voto, atrás apenas de Romário. O deputado estadual Marcelo Freixo (Psol), que aparecia em segundo lugar na pesquisa anterior, com 12,4%, tem agora 11,5%.

Apesar dos riscos do PMDB, o alerta da pesquisa é que a rejeição não se restringe ao candidato de Dilma e Lula. A queda do percentual de eleitores indecisos (não sabe/não respondeu), de 31,3% para 3,9%, contrasta com o crescimento do voto nulo, de 6,5% para 23,8%, diante do panorama atual de nomes lançados.

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