DEM vê riscos para a fusão com o PTB

Negociação esbarra na preocupação do partido da oposição com deputados federais do Partido Trabalhista Brasileiro aliados ao governo

Por O Dia

Os desencontros entre as lideranças do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e do Democratas dão sinais de que a fusão que vem sendo negociada pelas legendas ainda não é totalmente certa. Além do destino do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Armando Monteiro (PTB), que não abre mão de continuar sendo governista, os partidos precisam definir os líderes dos diretórios nos estados. São Paulo, Minas Gerais e Paraíba são alguns dos pontos críticos.

Ontem, a presidente nacional do PTB, deputada federal Cristiane Brasil (RJ), afirmou, em entrevista ao Brasil Econômico, que era grande a possibilidade de que a fusão fosse anunciada hoje. “Passei a semana passada com meu pai (o ex-deputado e delator do mensalão Roberto Jefferson, que deixou a prisão no sábado para cumprir o resto da pena em casa) e ocupada com as comemorações dos 70 anos do PTB. Nesse meio tempo, algumas coisas se acertaram, incluindo o diretório de São Paulo”, disse ela, acrescentando que entregou uma proposta ao deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), um dos líderes que vem cuidando da fusão e tem conversado frequentemente com a presidente do PTB.

Mais tarde, o presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia (RN), assegurou que ainda “há muitas etapas a serem cumpridas no processo”. Apesar de a deputada Cristiane Brasil já ter declarado que o PTB 25 (o novo partido preservará o nome do PTB e o número do DEM) será um partido de oposição ao governo da presidenta Dilma Rousseff, Agripino sinalizou que ainda há insegurança em relação à bancada petebista. Por enquanto, quase metade dos 25 deputados federais do PTB são contra a fusão.

“Existe uma grande intenção do PTB e do DEM, mas há condições. A principal condição é que a feição do partido continue sendo oposicionista”, argumentou o senador. Para ele, diante do racha do PTB no Congresso, o DEM fica com poucas garantias. “Quais são os governistas que ficam? E em que condições? Não sei se eles sairiam do partido, só eles é que podem decidir”, indagou Agripino Maia, que está preocupado também com o ministro Armando Monteiro.
Segundo Cristiane Brasil, o caso de Armando Monteiro, que é muito próximo à presidenta Dilma, é uma questão que está sendo resolvida pelo deputado federal Mendonça Filho (DEM), um dos principais articuladores da fusão e pertencente ao Estado de Pernambuco, o mesmo do ministro. A presidente do PTB garantiu que seu partido vai apenas mediar a conversa.

Interlocutores do ministro afirmam, porém, que ele não acredita que a fusão vá adiante. Monteiro tem apostado na divisão da bancada do PTB na Câmara. Uma fonte próxima ao ministro lembrou, por exemplo, a votação do pacote do ajuste fiscal na Casa. Tanto na Medida Provisória 664 quanto na 665, os petebistas deram um voto a mais para o “sim”, mostrando que estão mais próximos das propostas do governo. “A posição dele é de só trabalhar com uma hipótese, que é a do PTB ficar como está hoje. De qualquer maneira, essa decisão será adiada para setembro”, disse um assessor próximo ao ministro Monteiro.

O prazo é um dos pontos que mais preocupam os que defendem a fusão. A Justiça Eleitoral estabelece que todo o processo, além de novas filiações, devem ocorrer até um ano antes da eleição. As lideranças do PTB e do DEM trabalham para que tudo esteja resolvido antes de outubro, a fim de que o novo partido possa lançar candidatos às eleições de 2016. “Metade da bancada está tentando postergar a fusão para setembro ou para nunca”, reclama a presidente do PTB.

Até agora, há mais consenso entre os líderes partidários que entre os parlamentares. Caso a fusão seja aprovada, Cristiane Brasil continua na presidência na nova legenda. Em contrapartida, o DEM fica com as lideranças de bancadas na Câmara e no Senado. A presidente do PTB ameniza, inclusive, a expectativa em relação a uma debandada de parlamentares: “Dos que querem sair, eu penso que, de fato, somente metade desses insatisfeitos saia (seis deputados). Os demais estão começando a entender as razões pelas quais estamos fazendo esse esforço, que é a terceira via, um lugar alternativo ao PT e ao PSDB”.

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