Por bruno.dutra

São Paulo - Candidata à Presidência da República nas duas últimas eleições e principal líder da Rede Sustentabilidade, a ex-senadora Marina Silva defendeu ontem o financiamento público de campanha e a possibilidade de receber recursos apenas de pessoas físicas, com a criação de um teto por contribuinte. Ela afirmou que defende a proposta e acredita que ela será aprovada no primeiro congresso de seu partido. Em 2010, quando entrou na disputa pelo PV, Marina contou com uma plataforma para receber apoio financeiro pela internet. “Terminada a disputa, oferecemos o programa que havíamos desenvolvido para outras entidades e partidos”, contou a ex-parlamentar.

Na época, os militantes já haviam constatado a dificuldade de arrecadar dinheiro para a campanha dessa forma. Para ela, o financiamento por pessoas físicas exigirá uma mudança na cultura política. “As pessoas foram acostumadas a pensar mais no que podiam receber dos partidos do que em colaborar com eles. O descolamento cada vez maior entre as pessoas e as legendas também aumenta a dificuldade”, analisa. Segundo ela, a diluição em vários financiadores é importante para que haja um maior distanciamento entre o eleito e os interesses de quem doou para a campanha. Ano passado, quando disputou o cargo pelo PSB, a ex-ministra do Meio Ambiente defendeu o financiamento público de campanha.

A expectativa de integrantes da Rede é que o grupo consiga se oficializar como partido político até o fim deste mês. Marina lembrou que a legenda deve nascer pequena e com direito à fração mínima do fundo partidário, sem a possibilidade de ficar com o tempo de TV e o recurso relativo aos deputados que deixarem outros partidos para se filiar a ela. “Foi criado um marco zero para os partidos. Antes da criação da Rede, valia uma regra, depois de nós, a legislação passou a ser outra”, disse. Ela afirmou que houve uma mobilização do governo com o hoje ministro das Cidades, Gilberto Kassab, para garantir que o PSD ficasse com os benefícios dos deputados eleitos por outros partidos.

Marina afirmou que a Rede não deve lançar candidatos em todas as principais cidades do país e só deve se aliar a alguma candidatura de outro partido se tiver afinidade ideológica. Atualmente, o grupo está organizado em 68 cidades. Presente à Câmara Municipal de São Paulo, onde falou à Comissão de Meio Ambiente, a ex-senadora afirmou não conhecer detalhadamente a situação da cidade, mas defendeu a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) em dois pontos: o investimento em faixas exclusivas de ônibus e aa construção de ciclovias. “São políticas que encontram resistência em um primeiro momento, mas que precisam ser feitas para garantir uma melhor mobilidade, ainda mais em uma cidade complexa como São Paulo”, opinou.

A ex-candidata voltou a criticar o governo da presidenta Dilma Rousseff (PT). Para ela, o custo do ajuste fiscal é mais elevado por conta da perda de credibilidade. Marina acusou o governo de ter conduzido a política econômica de forma eleitoreira e, assim, ter provocado uma situação de desindustrialização, aumento do desemprego, inflação e juros. Ela também atacou o grande número de ministérios e de cargos comissionados no governo federal. A principal líder da Rede falou ainda em retrocesso, ao comentar a flexibilização do uso de reservas florestais e redução no ritmo de demarcação de terras para os indígenas e os quilombolas.

Marina Silva guardou críticas também aos tucanos, a quem apoiou no segundo turno da eleição presidencial. Para ela, assim como o PT, o PSDB foi atingido pela crise que assola a política. “Nos anos 80, os dois partidos renovaram a política. O PT no lado popular e o PSDB pelos empresários, ambos com o apoio da academia”, diz. Para ela, o desafio agora é a formação de partidos em rede. “A experiência está sendo feita na Europa também”, acrescentou.

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