Governo quer criar agenda positiva para enfrentar momento negativo

Plano Safra da Agricultura familiar destina R$ 28,9 bilhões ao pequeno agricultor. Hoje tem lançamento do Plano de Exportações

Por O Dia

Edla - Mais uma semana agitada em Brasília. Enquanto o governo tenta emplacar a “pauta positiva”, as agendas negativas se impõem à presidenta Dilma Rousseff. Ontem, o dia era para celebrar o lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2015-2016, mas a presidenta teve que se explicar sobre boatos nas redes sociais no fim de semana falando de uma suposta internação e até de tentativa de suicídio.

Amanhã, dia do lançamento do Plano Nacional de Exportações, a tensão se voltará para a votação ou não do projeto que reonera a folha de pagamento das empresas, já que esta semana a Câmara está esvaziada pelos festejos juninos. Os olhares do governo se voltam também para os depoimentos no âmbito da 14ª fase da Operação Lava Jato, com executivos de empresas que participam do programa de investimentos em infraestrutura envolvidos.

“Eu só vim falar com vocês hoje porque disseram que correu um boato de que eu estava internada. Vocês acham que eu estava?”, indagou Dilma a jornalistas após a cerimônia de lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar. A boataria atribuía o incidente exatamente aos maus momentos que circundam o governo, entre eles a queda na popularidade para 10%, abaixo do governo Fernando Collor de Mello à época do seu impeachment. Além da presidenta ter desmentido o fato, o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, que faz dobradinha com o vice-presidente, Michel Temer, na articulação do governo, procurou demonstrar a tranquilidade em relação ao clima político.

Após deixar a reunião da coordenação política, Padilha disse que a avaliação do governo é que houve melhora em indicadores importantes nos dados divulgados pelo instituto Datafolha, como a confiança em relação à economia e à inflação. “A confiança já bateu no fundo do poço e já começa a voltar”, avaliou o ministro. “Nossa expectativa é que essa reversão se reflita imediatamente na presidenta. Se há uma expectativa que começa a melhorar em relação a vários itens, por óbvio isso não acontece por milagre. Existe a chefia de um governo que faz com que isso aconteça e tem que capitalizar também”, ponderou.

Padilha também negou que haja preocupação com um possível impacto da nova fase da Lava Jato no recém-lançado Programa de Investimento em Logística (PIL). “As concessões são futuras e temos, na infraestrutura do Brasil, amplas condições para o mercado nacional e o internacional de empreendedores. Temos um programa de investimento e logística, ainda nem temos as concessões, isso ainda vai acontecer e queremos dar passos mais largos agora”.
S

egundo Padilha, a votação do projeto das desonerações é a “prioridade absoluta” da semana. O governo tem pressa em aprovar a matéria para que os recursos perdidos com os benefícios às empresas no primeiro mandato possam retornar aos cofres públicos para compor o superávit primário. Para passar a valer, a matéria precisa cumprir a noventena após ser sancionada. Até lá, deverá sair dos debates na Câmara e passar pelo Senado. A previsão mais otimista é que o projeto saia do Congresso em agosto.

A pressa do governo esbarra na falta de quorum na Câmara, já que 151 dos 513 deputados são nordestinos e muitos deles já avisaram que devem permanecer em seus estados, ainda que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tenha convocado sessão de votação para amanhã, dia de São João.

Por conta do festejo, Padilha admitiu que somente amanhã será possível avaliar se haverá ou não condições de aprovar a matéria ainda essa semana. Segundo o ministro, Eduardo Cunha sinalizou que será possível sair ainda esta semana da primeira fase do ajuste, votando a desoneração.

Na cerimônia de lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar, que liberou R$ 28,9 bilhões para o pequeno agricultor no período 2015-2016, Dilma destacou a importância da agroecologia e da formação da classe média rural. “Estamos aqui para lançar um plano que é estratégico para o Brasil do ponto de vista econômico, do ponto de vista social mas também do ponto de vista da democracia. Apostar na existência de uma classe média rural é algo que só pode levar o Brasil para uma sociedade de melhor qualidade democrática”, disse a presidenta.

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