Geraldo Alckmin acirra críticas contra o governo de Dilma Rousseff

Governador defende política de criação de emprego e diz que o PSDB tem de trabalhar para que “conta não caia” sobre população

Por O Dia

São Paulo - Apontado como um dos pré-candidatos do PSDB à Presidência, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou ontem, na abertura da 47ª edição da Francal (Feira Internacional de Moda em Calçados e Acessórios), que o seu partido precisa lutar pela geração de mais empregos. “Temos que ajudar o Brasil e, principalmente, não deixar que a conta caia na população mais pobre e nos trabalhadores”, afirmou. Como é característico em seu discurso, ele repetiu a ênfase no combate ao desemprego. “É emprego, emprego e emprego. É preservar o emprego. Aqui está um bom exemplo”, disse, ao falar sobre a feira da indústria de calçado, que é realizada no Anhembi, na Zona Norte da capital paulista.

Na convenção nacional do PSDB, realizada no último domingo em Brasília, Alckmin chegou a dizer que “o PT chegou ao fundo do poço” e que a missão do PSDB é não deixar que os adversários “carreguem o país junto”. Ele acusou os petistas de terem “contaminado o Estado como um parasita” e disse que o governo tenta “debelar a doença com os remédios errados”.

“Ficou claro que o PT não gosta dos pobres, do social, gosta do poder a qualquer preço”, continuou. O governador paulista também não havia poupado o ex-presidente Lula, tido como mais possível candidato petista em 2018. Para ele, “o povo não é bobo” e sabe da responsabilidade do principal líder do PT sobre a atual situação do Brasil.

Ontem, Alckmin negou que exista uma disputa entre ele o senador Aécio Neves (MG) para decidir quem será o candidato do partido ao Palácio do Planalto em 2018. “Candidatura presidencial não se persegue nem se recusa, se é convocado, mas tudo tem seu tempo”, disse o governador. Para ele, ainda há “muito tempo” até a próxima disputa pelo cargo. Derrotado na eleição presidencial do ano passado por Dilma Rousseff (PT), o senador mineiro comandará o partido até 2017.

Apesar de não falarem abertamente sobre a disputa em torno da hegemonia dentro do comando nacional do partido, o grupo de Alckmin não esconde que almeja que ele seja novamente candidato ao cargo. O governador paulista foi derrotado por Lula em 2006 e chegou a ter menos votos no segundo turno do que havia tido do primeiro. Além dele, brigam por espaço entre os tucanos Aécio e o senador José Serra, derrotado por Lula em 2002 e por Dilma em 2010.

O principal trunfo de Alckmin é estar em seu quarto mandato como governador do principal Estado da federação. Além disso, São Paulo foi o principal reduto eleitoral dos tucanos em 2014. O partido foi fundado em São Paulo e o Estado tem o maior número de representantes do PSDB em Brasília. O grupo de Aécio saiu duplamente enfraquecido em Minas, porque ele foi menos votado do que Dilma lá e o seu candidato ao governo acabou derrotado pelo petista Fernando Pimentel.

Apesar da disposição para falar de política nacional, Alckmin foi questionado também sobre assuntos relativos ao governo paulista. Um deles, sobre o fato de ter inflado os aumentos salariais dados aos professores da rede estadual durante seu mandato anterior (2011-14). O governador afirmava, durante a greve da categoria que durou 89 dias, que eles haviam recebido reajustes de 45%. A afirmação era usada pelo governador e sua equipe para caracterizar a paralisação como “política”. Para chegar ao percentual, no entanto, os tucanos levavam em conta gratificações e desconsideravam o impacto da inflação do período.

O reajuste na verdade fora de 12,3%. Questionado ontem, Alckmin afirmou que os números variam de acordo como o cálculo é feito. Lembrou que, descontada a inflação, o reajuste foi de 21%, se as gratificações forem tratadas como salário. Para Alckmin, essa é a conta correta.

O governador afirmou ainda que o nível de chuvas abaixo do esperado no mês de junho não deve alterar os planos do governo para o abastecimento. São Paulo vive uma grave crise de falta d’água. Segundo ele, as chuvas do período seco não são levadas em conta dentro da estimativa do governo paulista. O Sistema Cantareira, um dos principais fornecedores para a Grande São Paulo, opera atualmente com -9,6%.

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