Após falas de Dilma Rousseff oposição reage no Congresso Nacional

Para líderes do PSDB e do DEM, presidenta se faz de vítima e tenta inibir as ações das instituições públicas no país

Por O Dia

Rio - As declarações dadas ontem pela presidenta Dilma Rousseff, em entrevista exclusiva concedida ao jornal “Folha de S.Paulo”, mobilizaram aliados e oposicionistas.

Na corrente majoritária do PT, a Construindo um Novo Brasil (CNB), da qual faz parte o ex-presidente Lula, a entrevista foi bem recebida e deu aval, na opinião de líderes, para que o PT e seus militantes saiam da defensiva nas críticas duras feitas pela oposição, sobretudo em relação ao assunto impeachment, que Dilma rechaçou veementemente.

Para Tarso Genro, um dos líderes da segunda maior corrente petista, a Mensagem, Dilma poderia ter feito um chamamento aos movimentos sociais. “Acho que a presidenta finalmente se deu conta do que está curso, mas estranhamente ela não falou nas forças de esquerda e do movimento social, que são as mais interessadas em manter a estabilidade democrática”, afirma ele, que é um dos principais articuladores de uma frente ampla de esquerda para as próximas eleições.

Um dos maiores entusiastas do impeachment, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse que as declarações de Dilma refletem as opiniões de membros da cúpula petista, que, segundo o tucano, acusam de “golpe” as ações do Tribunal de Contas da União (TCU), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), da Polícia Federal e do Ministério Público .

“(O discurso de Dilma) nada mais é do que parte de uma estratégia planejada para inibir a ação das instituições e da imprensa brasileiras, no momento em que pesam sobre a presidente da República e sobre seu partido denúncias da maior gravidade”, disse, em nota, o senador, que ontem, em entrevista à Rádio Gaúcha, cometeu ato falho ao se declarar “reeleito presidente da República”. No último domingo, Aécio foi reeleito presidente do PSDB.

Já o presidente do Democratas, senador José Agripino (RN), rebateu as acusações da presidenta de que a oposição é “um tanto golpista” e disse que Dilma padece de “vitimologia”. “Dizer que é golpe, ao invés de responder às acusações, é desmerecer as instituições que existem para defender a sociedade”, criticou o senador oposicionista.

Ontem, na esteira da entrevista de Dilma e das declarações do senador Aécio Neves durante a convenção do PSDB no domingo, o deputado Sibá Machado (PT-AC), líder da bancada petista na Câmara dos Deputados, fez eco às acusações de golpe dos partidos de oposição, em nota representando a bancada dos parlamentares.

Para o cientista político e professor de marketing político Gaudêncio Torquato, as declarações da presidenta à “Folha” estão respaldadas pela cobrança que a base já vinha fazendo por uma reação mais contundente. Mas, segundo ele, a tendência é que a oposição reaja com mais força.

“É uma entrevista corajosa. Acho que poderia ter sido mais harmônica, já que Dilma acaba dando um tom muito forte de autossuficiência. Dizer que não tem nada a perder é autoconfiante, mas é desafiador e pode acirrar os ânimos. Mas se ela tem essas certezas, não vejo problema”, disse Torquato.

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