Por bruno.dutra

Está agindo de forma profissional e independente. Na busca e apreensão de documentos, não poupou sequer a presidência da Petrobras. E as revelações são cada vez mais espantosas. Tanto Yousseff quanto Costa agiam de forma agressiva e despudorada. Tudo indica que ergueram uma poderosa rede de tráfico de influência em torno de contratos de fornecimento e prestação de serviços à estatal. Numa das pontas mostravam o caminho das pedras para os fornecedores; na outra, embolsavam gordas comissões.

Depois de vários anos à frente de uma diretoria estratégica, Costa sabia exatamente onde pisava. E também tinha tempo para tratar com desprezo aqueles que zelam pelo dinheiro público. Sua agenda, apreendida pela PF, trazia em destaque uma frase de Millor Fernandes: “Acabar com a corrupção é o objetivo supremo de quem ainda não chegou ao poder”. Pelo jeito, o ex-diretor seguiu à risca a tirada irônica de Millor.

Ao chegar ao poder, Costa perdeu os pruridos em relação à corrupção. Sem temer os rigores da lei, sequer se preocupou em encobrir suas ações. A PF estranhou, por exemplo, que Costa e Yousseff tenham tentado comprar por R$ 18 milhões uma empresa que firmou contrato com a Petrobras no valor de R$ 443,8 milhões. Desconfia que os dois foram intermediários e, com a certeza do retorno, já teriam fechado com antecedência a compra da Ecoglobal.

O advogado Fernando Fernandes não vê nenhuma irregularidade nos negócios de seu cliente. Afirma que Costa não estava impedido de intermediar negócios com a Petrobras porque teria cumprido o período de quarentena depois que deixou a empresa em 2012. Será difícil, porém, explicar as relações com o doleiro Yousseff, envolvido em vários outros inquéritos. Também é suspeita a planilha em que o ex-diretor lançava os negócios de sua Costa Global, empresa que prestava serviços a fornecedores da Petrobras.

Ali são lançados os nomes dos clientes, os prazos dos contratos e o percentual das comissões. Segundo reportagem do jornal “O Globo”, as comissões iam de 5% do valor dos contratos a 15%. Mas há casos de 50%. Na versão do advogado, o registro de 50% significa que a comissão de 5% é dividida por dois. Acredite quem quiser.

Os especialistas em administração concordam com a PF: os negócios de Paulo Roberto Costa fogem totalmente aos padrões do mercado de consultoria. Enquanto a PF fecha o cerco em suas investigações, Costa e o parceiro Yousseff continuam presos. Alguns deputados dizem que a investigação da PF sobre os negócios do ex-diretor é mais um motivo para instalar com urgência uma CPI. Em programa partidário na TV, o senador Aécio Neves, pré-candidato do PSDB ao Planalto, afirmou que “a Petrobras, um patrimônio do povo brasileiro, está sendo destruída”.

Entende-se que a oposição procure tirar proveito das denúncias. Mas, se a Polícia Federal e o Ministério Público Federal estão fazendo exatamente o que se espera deles e de forma eficiente, qual seria exatamente a contribuição do Congresso? A quem interessa transformar em chicana política uma investigação séria e imparcial?

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