Por douglas.nunes

Foi curiosa a reação dos partidos de oposição ao pronunciamento da presidente Dilma Rousseff na véspera do 1º de maio. Em nota oficial, o pré-candidato do PSDB, Aécio Neves, acusou a presidente de usar “um instrumento de Estado, como a cadeia de rádio e televisão, para fazer campanha política e atacar os adversários”. 

Na mesma toada, o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho, defendeu que seu partido ingresse com uma representação no Ministério Público Eleitoral e no TSE por abuso de poder e crime eleitoral. Segundo ele, “quem está usando recursos públicos em horário oficial é a candidata Dilma, e não a presidente Dilma”. A oposição, porém, parece esquecer que a mensagem de 1º de Maio faz parte da tradição.

E sempre foi ocasião, por exemplo, para o governo anunciar reajustes do salário mínimo. Estranho seria se a presidente da República não se dirigisse à Nação por ocasião do Dia do Trabalhador. Dilma cumpriu o ritual. Anunciou o aumento de 10% nos valores do Bolsa Família e assumiu o compromisso de manter a política de valorização do salário mínimo. Jogou um confete também para os assalariados da classe média, ao informar que assinou medida provisória corrigindo a tabela de Imposto de Renda.

O que fugiu à praxe foi a defesa veemente que fez de seu governo. Ela reafirmou “o combate incessante e implacável à corrupção” e ressaltou que vai “lutar para que todos os culpados sejam punidos com rigor”. Em relação às denúncias recentes sobre a Petrobras, disse que “o que tiver de ser apurado deve e vai ser apurado com o máximo rigor”. Mas advertiu: “Não vou ouvir calada a campanha negativa dos que, para tirar proveito político, não hesitam em ferir a imagem dessa empresa”. A Petrobras, segundo ela, é “um símbolo de luta e afirmação do nosso país”.

O que alterou o humor da oposição foi exatamente a resposta indireta de Dilma às críticas à compra da refinaria de Pasadena e às denúncias contra o envolvimento do ex-diretor Paulo Roberto Costa com o doleiro Alberto Yousseff. Entenderam o PSDB e o DEM que a presidente infringiu a lei eleitoral ao estender o discurso para além das questões trabalhistas. Seu pronunciamento do 1º de Maio teria excedido os limites da tradição. De certa forma, é verdade. Mas é imperioso reconhecer que a presidente Dilma ofenderia o bom senso se passasse ao largo do tiroteio de acusações ao seu governo. Seria acusada de tapar o sol com a peneira. Ou, então, de alheamento às polêmicas que tomam conta do noticiário. Aí, sim, estaria cometendo um grande equívoco político.

Qual um boxeador que está perdendo a luta por pontos, Dilma saiu das cordas. Esta foi, por sinal, a interpretação quase automática do jornal britânico “Financial Times”. Em artigo na edição on line, o correspondente em São Paulo concluiu que o discurso do 1º de Maio, com o aumento do Bolsa Família, “marcou o mais agressivo contra-ataque da presidente” ao avanço dos adversários nas pesquisas de opinião. Até agora, na visão do experiente Elio Gaspari, Aécio Neves e Eduardo Campos encontravam-se na “confortável situação de jogar parados”. Vinham surfando na onda dos fatos negativos que desgastaram a popularidade de Dilma. Ainda vão tirar proveito da repercussão da CPI da Petrobras, mas Dilma mostrou que não ficará de braços cruzados. Acabou a zona de conforto da oposição.

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