Por monica.lima

Enquanto o país do futebol, abalado pelo desfalque de Neymar, aguarda a semifinal contra a Alemanha, cientistas políticos e especialistas em pesquisa abrem polêmica sobre o impacto que a Copa do Mundo terá nas eleições de outubro. Com base na tradição brasileira, prevalece a opinião de que os resultados esportivos, por mais simbólicos, não costumam exercer influência em disputas eleitorais. Assim foi, por exemplo, em 2002, quando o Brasil conquistou o pentacampeonato, mas o petista Lula derrotou o tucano José Serra, candidato da situação. E também em 2006 e 2010, quando, apesar das derrotas nas quartas de final, Lula conseguiu se reeleger e fez de sua ministra Dilma Rousseff a primeira mulher presidente do Brasil.

Desta vez, a Copa é disputada aqui. Mas mesmo assim, afirmam os analistas, dificilmente o desempenho da seleção terá reflexo nas urnas. Se há consenso nesse ponto, o mesmo não acontece no que diz respeito à organização da Copa em si. Aí, as opiniões se dividem. Há quem diga que Dilma Rousseff será beneficiada pelo êxito do evento. Ao contrário do que alguns grupos previam (até torciam por isso), não houve percalços de maior importância. Tudo correu bem, os visitantes estrangeiros são só elogios para a capacidade administrativa dos brasileiros e até mesmo a Fifa reconhece que o Brasil deu conta do recado. O governo, obviamente, aproveita a maré a favor para dar o troco nos que diziam que não haveria Copa e nos que apontaram gargalos graves na infraestrutura. Se houvesse problemas, seriam debitados na conta de Dilma. Como não houve, é natural que o Palácio do Planalto solte fogos.

À parte o jogo de poder, a pergunta que se faz é a seguinte: Dilma ganhará votos no embalo do sucesso da Copa? Alguns acreditam que sim, outros garantem que não. O primeiro grupo usa como munição a mais recente pesquisa do Datafolha que mostrou crescimento de quatro pontos percentuais nas intenções de voto em Dilma, de 34% para 38%, contra pequena oscilação de Aécio Neves (20%) e Eduardo Campos (9%), ambos dentro da margem de erro. Eis a interpretação do diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, para o crescimento da petista: “É fruto de algo que atingiu todas as camadas sociais. Reforça a ideia de que foi uma mudança geral de humor influenciada pelo clima da Copa”. No Nordeste, por exemplo, a liderança de Dilma ficou ainda mais folgada, pulando de 48% para 55%. E nas cidades do interior subiu de 36% para 42%.

Uma das vozes mais realistas do PT, o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, voltou a mostrar sinceridade: “Não se deve valorizar pesquisas. Agora dizer que não nos alegra é bobagem”. Nos redutos da oposição, porém, acredita-se piamente que o efeito Copa é passageiro. As demandas por investimentos em setores básicos, como educação e saúde, continuam de pé e voltarão à tona com força durante a campanha eleitoral que começou oficialmente no domingo. Dizem que o que vai pesar, no fim das contas, é a avaliação do governo. Nesse sentido, o desempenho da economia e as expectativas em relação a emprego e renda serão fatores fundamentais. Há também que levar em consideração o desejo de mudança que tem sido apontado pelas pesquisas de opinião.

Que o clima no país melhorou com a Copa, não há dúvida. Mas se vai ficar assim até 5 de outubro, só os deuses do futebol sabem.

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