'Cometa ou disco voador?'

As pesquisas confirmam que Marina Silva entrou a pleno vapor na sucessão presidencial e provocou uma reviravolta na disputa

Por O Dia

A pesquisa CNT/MDA confirmou quase integralmente o surpreendente resultado anunciado pelo Ibope na noite de segunda-feira: Marina Silva entrou a pleno vapor na sucessão presidencial. Provocou uma reviravolta na disputa. Antes da morte trágica do ex-governador Eduardo Campos, tudo caminhava para um pleito morno e inodoro. Havia possibilidade de Dilma Rousseff ser reeleita no primeiro turno ou, na pior das hipóteses, ganhar com sobra de seus adversários no segundo turno. O PT estava tranquilo e sobranceiro com a perspectiva de mais quatro anos no poder e o PSDB, conformado, investia na imagem de Aécio Neves de olho em 2018. Eduardo Campos também plantava para colher daqui a quatro anos. Agora, tudo vai ser diferente. Marina acabou com a pasmaceira. Numa expressão usada pelos paulistas, ela virou a eleição de ponta cabeça.

Na pesquisa do Ibope, a candidata do PSB apareceu com 29% das intenções de voto, dez pontos à frente de Aécio e só cinco ponto atrás de Dilma. O levantamento da MDA é parecido. Marina tem 28,2%, Dilma 34,2%, e Aécio cai para 16%. Diante disso, é muito difícil, praticamente impossível, que Dilma vença em 5 de outubro. A decisão deve ir mesmo para o segundo turno. A não ser que aconteça movimento inesperado e Marina continue a crescer, tirando votos de Aécio. Na opinião de especialistas que estão acompanhando as pesquisas com lupa , essa possibilidade existe. Os votos do tucano estariam migrando para a ex-ministra em alta velocidade. Técnicos experientes afirmam que o crescimento de Marina “é muito consistente”. E, em parte, repete a evolução da então candidata do Partido Verde na eleição de 2010, quando ela obteve 20 milhões de votos.

Quem tem pesquisadores em campo garante que a intenção de votos em Marina não para de subir. Esta é a tendência do momento. Ela conquistou a preferência de evangélicos, de jovens desencantados com a política e de gente que ainda estava indecisa, sem se identificar com os candidatos. A ex-ministra do Meio Ambiente já exibe força nas principais capitais do país e começa a crescer no Nordeste. O que pode ser decisivo é seu desempenho em São Paulo. Pela primeira vez desde a redemocratização, São Paulo não tem um nome de peso na disputa pela Presidência. Então, a disputa está em aberto entre Dilma, Marina e Aécio. Se alguém conseguir grande diferença ali, pode assegurar a vitória. E os rumores são de que Marina está abrindo frente no maior colégio eleitoral.

Arguto intérprete de pesquisas, o ex-prefeito César Maia, em seu blog, diz que o crescimento de Marina provocou um impacto que funciona como uma informação nova de grande visibilidade e leva os eleitores a ter uma opinião reativa. Segundo ele, é “um cometa que uns acham que é disco voador, outros acham que é desígnio dos céus e outros, simplesmente um cometa”. Ele acredita que, a partir de agora, os eleitores vão trocar opiniões sobre a novidade. E estima que, num prazo de 15 dias, haverá cristalização ou decantação do fenômeno. Outros especialistas, porém, dizem que a intenção de votos em Marina já se cristalizou, como reflexo, principalmente, do desejo de mudança da sociedade. Não é uma onda que morre na praia. É uma realidade.

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