Por bruno.dutra

Com música, teatro e dança, atrai turistas de todo o mundo. Faz parte da rica agenda cultural a apresentação de militares na esplanada do Castelo de Edimburgo, com o corpo de guarda vestindo o kilt, a tradicional saia quadriculada, e tocando gaita de fole. O espetáculo do Royal Edinburgh Military Tattoo reúne quase dez mil pessoas por noite, no mês de agosto. Na introdução, antes da bela exibição do exército britânico, um grupo de teatro reconstitui cenas da história da Escócia e o destaque vai para a coroação do Rei Macbeth. Para surpresa dos visitantes estrangeiros, Macbeth é reverenciado pelo povo escocês. Nada tem a ver com o assassino e usurpador do trono, personagem central da famosa peça de William Shakespeare.

Na vida real, Macbeth foi rei da Escócia de 1040 a 1057. Era considerado um rei pacífico e generoso com a Igreja. General competente, subiu ao trono depois de derrotar em batalha seu primo Duncan. Ambos eram netos do rei Malcolm II. Em 1054, foi derrotado pelo filho de Duncan, que assumiu a coroa e o matou três anos depois. Na versão de Shakespeare, Macbeth é um nobre ambicioso, que se inspira em bruxas para tomar o poder. Atrai a seu castelo o rei Duncan e o mata a facadas na madrugada, com a ajuda da mulher, Lady Macbeth. Torna-se um rei sanguinário, que só via inimigos ao redor. Ao mesmo tempo em que cai em desgraça, vê Lady Macbeth enlouquecer até se suicidar. No fim da peça, é morto por lorde Macduff.

Assim como Macbeth foi transformado em monstro por Shakespeare, a rainha escocesa Mary Stuart tem faces distintas na Escócia e na Inglaterra. Prima da rainha Elisabeth I, Mary sucedeu o pai Jaime V com apenas seis dias de vida, em 1542. Passou a infância na França e só voltou a seu país em 1561. Ela era católica e enfrentou forte resistência dos nobres protestantes. Após um levante, foi forçada a abdicar em julho de 1567. Fugiu e pediu proteção no Sul a Elizabeth, que a considerava uma pretendente ao trono da Inglaterra, com apoio de Roma. Elizabeth manteve sua prima presa por dezoito anos até que a acusou de tramar seu assassinato e condenou-a à morte. Decapitada aos 44 anos, em 1587, Mary Stuart tornou-se um símbolo de seu povo. Por ironia do destino, o filho de Mary, James, foi o sucessor de Elizabeth I, que não teve herdeiros.

Essas histórias, que dividem ingleses e escoceses, estão sendo lembradas na antevéspera do plebiscito que pode marcar o fim do Reino Unido, com as fronteiras de mais de 300 anos. Aqui no Brasil, as pesquisas sobre o segundo turno entre Marina Silva e a presidente Dilma Rousseff também mostram uma divisão radical do eleitorado. No último levantamento do Ibope, Marina tinha 43% das intenções de voto contra 42% de Dilma. É uma disputa tão acirrada quanto a do Sim e do Não à independência da Escócia. E também por ironia do destino, o embate entre a candidata do PSB e a candidata à reeleição pelo PT pode ser comparado à guerra entre as duas rainhas britânicas.

Se as rainhas eram parentes, Marina e Dilma são quadros do PT e ex-ministras do presidente Lula. Se Elizabeth era protestante e Mary, católica, Dilma é católica e Marina, evangélica. Na Grã-Bretanha, Elizabeth se impôs. Quem será a vencedora na dramática disputa pela principal cadeira do Palácio do Planalto?

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