Marina resiste. Até quando?

Não está fácil a vida de Marina Silva. Alvo de fogo cerrado do PT e do PSDB, a candidata do PSB faz tudo que pode para se manter competitiva na corrida sucessória

Por O Dia

Sempre que é atacada, responde à altura. Às vezes reage no mesmo tom das críticas, como fez anteontem quando o ex-presidente Lula afirmou que ela quer terceirizar a Presidência, por entregar a elaboração de seu programa de governo a vários especialistas. Ao rebater o companheiro de outrora, a ex-ministra declarou que está “fazendo o debate com a presidente Dilma e o governador Aécio, não com seus auxiliares políticos”. Para quem achava que Marina iria se encolher e evitar os embates, ela tem mostrado um aguerrimento surpreendente. Resiste ao trabalho de desconstrução de sua imagem, mas come o pão que o diabo amassou.

A considerar as pesquisas, Marina passará para o segundo turno, no qual enfrentará uma batalha ainda mais cruenta com Dilma Rousseff. No Vox Populi, por exemplo, Marina aparece com 42% e Dilma com 41%. Mas tudo poder mudar, se a campanha de Marina perder o rumo. Tucanos experientes, que ainda acreditam nas chances de Aécio Neves, lembram candidaturas que desmancharam na hora H. Citam a derrocada de Cidinha Campos, do PDT, na disputa pela prefeitura do Rio em 1992.

De favorita, a popular jornalista sequer chegou ao segundo turno, superada por César Maia e Benedita da Silva. No caso específico de Cidinha, é bom lembrar, teve efeito corrosivo o fato de Leonel Brizola, então governador do Rio, ter ficado contra o impeachment de Fernando Collor. Os candidatos do PDT pagaram caro pelo erro político do chefe.

Escorregões na reta final, mesmo de terceiros, podem ser fatais. Esse é um risco que Marina tem corrido. Muita gente tem se apresentado à imprensa como assessores da campanha do PSB. E haja bobagem! Em entrevista no domingo, o economista Alexandre Rands fez terra arrasada dos desenvolvimentistas da Unicamp (“Um lugar isolado, fora do mundo”). Dono da consultoria Datamétrica, especializada em telemarketing, ele atacou com violência a obra de Celso Furtado, ícone dos economistas de esquerda.

“A escola de Campinas, e grande parte da esquerda brasileira, não conseguiu se libertar de Celso Furtado. Só que é um modelo que gera uma crise dentro dele próprio”. Perplexo, o presidente do PSB, Roberto Amaral, desautorizou Rands e se disse surpreso com a quantidade de “especialistas” que falam em nome de Marina. Em vez de ajudar, os tais “especialistas” dão munição aos adversários. Funcionam como uma espécie de fogo amigo.

Marina tem sobrevivido aos ataques dos adversários e às tolices de assessores. Mas, no segundo turno, a história pode ser bem diferente. Em seu ex-blog, ontem, César Maia fez uma análise aguçada sobre o mano a mano entre Dilma e Marina. Concluiu que, se Marina terá o apoio do PSDB, Dilma, certamente, conseguirá reunificar sua base de partidos políticos.

Se no primeiro turno houve desagregação da base aliada, os grandes e médios partidos devem voltar a se unir em torno da presidente. “Esta será uma grande vantagem de Dilma no segundo turno, especialmente nos municípios do interior, onde os políticos locais têm maior capacidade de condução de voto”, prevê o ex-prefeito. Os eleitores de cidades com até 50 mil habitantes representam 35% do total. Portanto, vai ficar mais difícil ainda a vida de Marina.

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