Está chegando a hora

Nem todo mundo viveu a emoção dos tempos heroicos de lançamento de foguetes em Cabo Canaveral, mas o clima das eleições agora é de contagem regressiva

Por O Dia

Faltam apenas 10 dias para a realização do primeiro turno. Na noite do domingo 5 de outubro, o país vai saber se haverá ou não necessidade de voltar às urnas para eleger a sucessora de Dilma Rousseff. A esta altura das pesquisas, segundo especialistas, o certo é que uma mulher continuará à frente dos destinos da República. Se Dilma não tiver votos suficientes para se reeleger de pronto, terá de enfrentar o confronto direto com a ex-ministra Marina Silva. Quem entende de corrida eleitoral considera remota a chance do senador Aécio Neves ultrapassar Marina na reta final. O mais provável mesmo é o apoio do tucano à candidata do PSB quando se iniciar o duelo com a presidente.

No momento, a tendência é de subida de Dilma e de acomodação de Marina. O que não chega a surpreender. O ex-prefeito César Maia, respeitado intérprete da opinião pública, lembra que, quando a avaliação positiva do governo Dilma empacou em 35%, advertiu sobre o forte impacto que teria o latifúndio da presidente no horário obrigatório de TV. “Este Ex-Blog chamou a atenção na época que a própria campanha com tempo de TV generoso tem reconstruído os governos ou criado governos virtuais. E deu vários exemplos.

Dilma é mais um”, frisou Maia. Outro ponto que ele destaca é o peso relativo da conjuntura econômica na decisão de voto, pelo menos por enquanto. Para fins eleitorais, explica o ex-prefeito, a economia que importa é a economia do bolso, ou seja o emprego e a renda. E estas duas variáveis, graças às políticas públicas e ao intervencionismo do governo, tem se mantido. Ajuste fiscal só após a eleição, em 2015.

Em relação a Marina Silva, a explicação para sua queda nas intenções de votos não se prende apenas ao efeito dos violentos ataques de Dilma e Aécio. Para o cientista político Antonio Lavareda, Marina não passou com louvor no teste de realidade. Ela captou o sentimento de mudança do eleitorado, mas sempre num nível de representação simbólica. No mundo real da campanha, ao ser obrigada a tratar de temas objetivos e outros absolutamente banais, Marina se dessacralizou. O experiente Lavareda também vê um ponto negativo na excessiva exposição dos assessores da ex-ministra. “São muitos e falam demais” . Segundo ele, há uma combinação curiosa na campanha do PSB: “Temos uma candidata muito discreta acompanhada de assessores muito extrovertidos”.

Como se vê, não faltam explicações para a crescente vantagem de Dilma. Mas nem por isso as raposas em pesquisas admitem a possibilidade de sua reeleição no primeiro turno. Explicam que, no outro prato da balança, vão se somar os votos de Aécio e Marina, e também os dos nanicos Luciana Genro, Eduardo Jorge e Pastor Everaldo. O que impediria que Dilma, mesmo em alta, alcançasse a maioria absoluta. Tudo caminha, portanto, para o segundo turno entre Dilma e Marina.

Nesta nova etapa, avalia Lavareda, vão pesar três fatores: os índices de rejeição das duas adversárias, a qualidade e o retorno das campanhas na TV (a de Marina foi considerada amadora por marqueteiros) e a repercussão de notícias na grande mídia. Em suma, Dilma sairá na frente no dia 5, mas não terá vida fácil na disputa decisiva. São muitas variáveis e tudo pode acontecer.

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