Por douglas.nunes

Hoje tem comício de Dilma Rousseff no bairro de Campo Limpo, na Zona Sul de São Paulo. O ex-presidente Lula também estará por lá, reforçando o palanque. É parte da tentativa de quebrar a forte rejeição dos paulistas à candidata do PT, que também foi prejudicada pelo fracasso do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha na disputa do governo estadual. Em momento algum Padilha conseguiu decolar. Na última pesquisa do Datafolha apareceu com 9% das intenções de voto, a enorme distância dos 51% do tucano Geraldo Alckmin, que deve se reeleger já no primeiro turno. Um dos obstáculos que Dilma enfrenta na corrida sucessória é exatamente o peso do eleitorado de São Paulo. Apesar de seu amplo favoritismo no Norte/Nordeste, a presidente paga o preço da rejeição no maior colégio eleitoral do país. Do contrário, a reeleição estaria assegurada.

Os responsáveis pela campanha de Dilma reconhecem que os resultados em São Paulo — a se confirmarem — ficarão muito aquém da expectativa inicial. Embora sempre se tenha deparado com o nariz torto da classe média paulista, o PT tem seu berço na região industrial do ABC e conquistou vitórias memoráveis na capital. Numa virada surpreendente, elegeu para a prefeitura de SP a assistente social Luiza Erundina em 1988. Também levou a sexóloga Marta Suplicy ao mesmo cargo e conquistou vagas no Senado com Eduardo Suplicy e Aloizio Mercadante, este com votação recorde. Sem falar nas expressivas bancadas de deputados estaduais e federais. Desta vez, porém, o partido de Lula ficou no meio do caminho. Como fez com Dilma e Fernando Haddad, o ex-presidente apostou as fichas nas chances do desconhecido Padilha. Mas a mágica não se repetiu.

Para a cúpula do PT, há várias explicações. Uma delas é a presença quase cativa do PSDB no comando do Palácio Bandeirantes. Sucederam-se os mandatos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin. A este último, com berço político em Pindamonhangaba, falta o carisma de Covas e a trajetória de lutas de Serra, mas, na visão do próprio PT, o perfil de Alckmin se adapta com perfeição ao modo de ser da classe média de São Paulo. Sua frieza e seu jeito contido — que lhe valeram o apelido de “picolé de chuchu” — são apontados como qualidade, e não como defeitos. “É impressionante a força do Alckmin nas cidades do interior”, reconhece um dirigente petista. Mas, nos bastidores, a provável vitória do tucano no primeiro turno também é atribuída à fragilidade da candidatura Padilha.

Há ainda outro motivo para as dificuldades do PT e de Dilma Rousseff em São Paulo: o mau desempenho da economia. Maior polo industrial do país, o Estado sofre como poucos os efeitos da crise na indústria. Para os trabalhadores paulistas, a ameaça de desemprego está mais presente do que nunca. E pesa na hora do voto. Ali, a carga tributária e a falta de competitividade da indústria são temas de discussão nas assembleias de sindicatos. Tanto isso é verdade que o PT está dando corda ao movimento “Nem que a vaca tussa”, que as centrais sindicais lançaram assim que a ex-ministra Marina Silva anunciou sua proposta de atualizar a CLT.

Se, em outras unidades da Federação, o que importa são os programas públicos que garantem a renda mínima, os eleitores de São Paulo estão de olhos bem abertos para os rumos da economia brasileira. Ali, vale a máxima “É a economia, estúpido!”.

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