Por bruno.dutra

Foram tantas as acusações durante a campanha que a impressão final é de que não há concorrente que mereça voto de confiança. Nos colégios da Zona Sul do Rio de Janeiro, os professores chegam a comentar com os alunos que o atual leque de candidatos é o pior de todos os tempos. O julgamento, por severo e radical, provoca espanto em que vem de longe e acompanha a vida política desde o governo JK.

Mas é o preço que os três adversários pagam pelo baixo nível dos debates. Mesmo assim, seria injusto endossar a avaliação negativa sobre Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves. Eles podem não pertencer ao panteão da política brasileira, mas, sem dúvida, reúnem qualidades para ocupar o cargo máximo da Nação. Não são nem melhores, nem piores, apenas diferentes.

A seu modo, os três têm pleno direito de sonhar em governar o Brasil pelos próximo quatros anos. A começar por Dilma, a candidata à reeleição. Houve época em que se falou da possibilidade de Dilma não concorrer ao segundo mandato. Abriria caminho para Lula, num acordo que teria sido firmado em 2009. Ela, porém, não nasceu para o papel do russo Dmitri Medvedev, uma espécie de fiel escudeiro do poderoso Wladimir Putin.

A presidente tem luz própria e provou isso desde os tempos da luta armada, quando se impôs ao lendário Carlos Lamarca. No Palácio do Planalto, Dilma mostrou o mesmo pulso forte dos tempos de ministra e comandou todas as frentes de sua gestão, com destaque especial para a política econômica. Mestranda em economia pela Unicamp e seguidora de Keynes, ampliou os programas sociais e reforçou o investimento estatal. Se seu governo foi bem sucedido ou não, a resposta virá das urnas.

Aécio tem sangue de político em suas veias. Na juventude, esteve ao lado de Tancredo Neves na campanha das Diretas e também na eleição do avô para a Presidência em 1985. Seu currículo inclui mandatos de deputado federal, governador de Minas Gerais e senador da República. Uma trajetória que merece respeito. E Aécio chegou lá graças ao voto de seus conterrâneos. Deve ter sido um bom governante, pois é proverbial a prudência dos mineiros na hora de votar.

Só falta a Aécio ocupar a cabeceira da mesa no Palácio da Alvorada, realizando o sonho interrompido de Tancredo. A exemplo de Dilma, ele é bom de briga. Conseguiu, inclusive, vencer a resistência dos tucanos paulistas que há anos dominam o PSDB. Este fato, por si, é revelador de sua competência política. Se não der agora, Aécio estará de volta em 2018.

O cardápio se completa com a ex-ministra Marina Silva, que só entrou na disputa por obra do destino, após a trágica morte de Eduardo Campos. Ambientalista respeitada no mundo inteiro, Marina é de origem humilde como Lula, mas conseguiu vencer todas as adversidades da vida. Graças ao esforço pessoal, estudou e formou-se em História. Defendeu os seringueiros da Amazônia ao lado de Chico Mendes e participou da fundação do PT.

Entrou para a política e galgou todos os degraus, de vereadora a senadora pelo Acre. Alvo preferencial das críticas durante a campanha, a carismática Marina é símbolo de luta e dignidade. Foi muito bem votada em 2010 e pode passar ao segundo turno este ano.
Temos, portanto, bons candidatos à Presidência. Bom voto!

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