Por douglas.nunes

A surpresa ficou para a reta final com a impressionante atropelada do tucano Aécio Neves, que livrou ampla vantagem sobre Marina Silva na fita de chegada. Ainda na linguagem do turfe, Aécio surpreendeu os favoritos ao formar a dupla com Dilma Rousseff. Mas, se sua passagem para o segundo turno é inesperada, vem manter uma tradição que está enraizada desde 1994: a polarização entre PT e PSDB na disputa pela Presidência da República. Por enquanto o placar está 3 a 2 para o PT, que venceu com Lula em 2002 e 2006, e também chegou à frente com Dilma em 20010. O PSDB tem duas vitórias seguidas com Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998. Já são 20 anos de confronto direto e Aécio Neves, agora, terá a oportunidade histórica de igualar o marcador. No primeiro turno chegou a ser desacreditado pelo próprio partido, mas mostrou que é bom de urna. Quem sabe repete a dose no segundo turno?

Pelo resultado do domingo, a presidente Dilma continua favorita. Faltou pouco para ela se reeleger. E todas as simulações do combate direto com Aécio apontam vitória da candidata do PT. No mês de setembro, Dilma recuperou terreno nos principais colégios eleitorais do Sul e do Sudeste. Avançou principalmente em Minas Gerais, no Rio e em São Paulo. Por sinal, o PT também teve votação expressiva para o governo de Minas, com Fernando Pimentel levando fácil no primeiro turno. E exibiu força na boca de urna em São Paulo, ao conseguir um resultado honroso para Alexandre Padilha. Como no Norte/Nordeste a presidente reina absoluta (com 70% dos votos) graças à influência dos programas sociais, o marqueteiro João Santana vai concentrar o foco da campanha nos eleitores de classe média que vivem abaixo da Bahia. Acredita-se que Marina Silva repita o que fez em 2010 e libere o voto de seus simpatizantes. Esses votos serão decisivos, independentemente da decisão que será anunciada pela ex-ministra.

Se o prato de resistência de Dilma será o êxito das políticas públicas dos doze anos de gestão petista, que multiplicaram o emprego e a renda, Aécio Neves certamente vai assestar suas baterias contra a política econômica do atual governo. No debate da TV Globo, o tucano deu a primeira estocada, ao destacar que o crescimento do PIB de 2011 para cá foi de modesto a pífio. Cobrou explicações da presidente, mas Dilma preferiu atacar o economista que Aécio pretende colocar no comando do Ministério da Fazenda, no caso de vitória. Sem citar o nome de Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, ela afirmou que o BC jogou os juros nas alturas e enfrentou uma taxa de inflação bem superior à atual. Mas Dilma voltou rapidamente ao tema dos programas sociais, mostrando que este é o terreno no qual sente mais segura. Ficou claro, porém, que a economia é um ponto vulnerável.

Não há como escapar do lugar comum: o segundo turno será outra eleição. De difícil previsão. De um lado, a máquina azeitada do PT e o apoio de Lula, de outro, o time também experiente do PSDB, com destaque para FHC, Serra e Alckmin. São Paulo, que detém um quarto dos votos do país, é o cavalo de batalha de Aécio. Enquanto Dilma tem a seu favor os milhões de famílias beneficiadas pelo Bolsa Família. Da mesma forma que conseguiu desconstruir a carismática Marina Silva, a presidente agora vai atirar pesado em Aécio. Há quem afirme, porém, que o neto de Tancredo é uma adversário mais temível. Aécio chega em clima de alto astral e mostrou que pode ir mais longe do que se pensa.

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